Mensagem 30 Set 2017, 07:16

Conto de campanha

Bom dia!

Os próximos 10 mil caracteres são referentes a um conto que fez parte da introdução de uma nova ameaça ao mundo. Kazzlabam, outrora conhecido como o Senhor dos Bruxos havia sido derrotado por seu rival Gorgio Amenophus antes de concluir seus planos de conquista. Com a morte de Gorgio, ele foi libertado de sua prisão e foi reencontrar seus antigos aliados para recomeçar sua jornada em busca da dominação. Essa campanha já encerrou, e pretendo colocar aqui os contos que registram essas histórias. Espero que apreciem e que de alguma forma, se divirtam com o que vou mostrar.

Valeu!

SANGUE E PODER


Gritos e fumaças. Era tudo o que havia sobrado da cidade após a invasão dos bárbaros de Krang. Outrora um saqueador de estradas, Krang tornou-se líder de assassinos sedentos de sangue e violência. Invadir cidades com exército fraco ou nenhuma defesa era o melhor exercício para as tropas dele. Krang, no passado, liderou as tropas do Senhor dos Bruxos e foi o auge de sua carreira. Ele poderia ser o quão violento quisesse que ainda era recompensado pelo grande Bruxo. Com a morte de seu patrono, Krang refugiou-se nas montanhas com seus soldados até que cessassem a caça a eles. Tempos depois voltaram a fazer o que são peritos: espalhar caos e sangue pelas cidades.
Krang caminhava pelo que tinha sobrado de Celestia, a cidade que escolheram atacar. Apenas o cheiro de madeira queimada estava no ar. Ele andava entre as barracas do que teria sido o mercado do lugar. Viu seus homens comemorando o massacre bebendo tudo que encontravam. Outros comiam especiarias diversas, alguns homens experimentavam em si peças de vestimenta de lugares desconhecidos, tinham uns que experimentavam ferramentas para descobrir suas reais funções, pois eram desconhecidas para eles. Saindo dali, viu seus homens compartilhando o tesouro retirado das casas. Jóias, moedas, armas, gemas e outros bens eram jogados no chão para que pudessem ser partilhados. Entre um cadáver e outro, Krang chegou ao centro da cidade. Vislumbrava o espetáculo das chamas se espalhando entre as casas rapidamente. As poucas que não estavam sendo queimadas tinham serventias ainda mais nefastas. Krang sorria ao se aproximar delas. Entre os júbilos de vitória que cada um de seus homens fazia questão em lhe dar, conseguia distinguir os gritos de dor e sofrimento de mulheres. Ficou um instante de olhos fechados apenas ouvindo os gritos de desespero femininos e os urros de prazer de seus homens. Para ele isso era como uma melodia de alegria, pois lembrava dos tempos em que o Senhor dos Bruxos o exaltava por cometer atrocidades como essas.
Foi despertado de seu pequeno transe com um chamado de seu tenente. O homem que Krang tratava como imediato e que havia realizado o ataque bem sucedido.
- Existem sobreviventes? – Perguntou Krang assim que abriu os olhos.
- Sim. – Disse o Tenente apontado a mão para um lugar próximo a Krang. O grande mercenário olhou calmamente. Viu três de seus homens chutando um homem caído no chão. Um deles puxou sua adaga e abriu um corte no rosto do homem ao chão que teve sua boca alargada de forma repulsiva. Krang fitou seu tenente.
- Fez um bom trabalho tenente! Casas destruídas, ouro, prazer livre aos homens e punição severa para todos aqueles que ergueram espadas contra nós. Vitória com mérito! – Elogiu Krang.
- Fiz tudo como o imaginei que o senhor faria. – Respondeu o tenente. Krang admirava o cenário. Parecia procurar alguma coisa. Seu tenente novamente o interpelou.
- Senhor, também achei que seria adequado lhe dar algo digno de ser honrado e preparamos uma surpresa. – Krang franziu o cenho.
- Surpresa? - O tenente apontou para uma das casas. Krang percebeu que seus homens não haviam entrado nela. Estavam fazendo guarda com se aquela ali fosse a sala do trono do rei da matança. Krang não precisou dar ordem alguma para que o deixassem passar. Seu tenente entrou também, mas limitou-se a ficar na porta. O líder da violência olhou para a casa que ainda estava arrumada. Viu comida farta, bebidas e ouro espalhados pela casa. Também tinha muito sangue no chão demonstrando que corpos foram arrastados ali dentro. O que mais chamou a atenção dele foi ver que uma jovem com no máximo 15 ciclos de vida estava com os punhos atados acima da cabeça e os olhos vendados sobre uma cama de feno. Tudo estava muito bem atado, pois dava para ver as marcas na pele dela. Krang procurou ferimentos nela acariciando levemente a pele. A menina contraiu seu corpo com cada toque que recebera. Ele também percebeu que o tenente teve o cuidado de deixá-la nua. Isso demonstrava que a garota não havia sido tocada pelos homens.
- Imaginamos que o senhor também merecia maior parte do espólio. Essa é a virgem mais nova da cidade. Isso foi comprovado pela própria mãe dela que é esposa do finado prefeito desse local. Tomei a liberdade de pega-la como meu espólio, se não se importa. – Ao dizer essas palavras, o tenente esperou alguma reação de seu líder. Krang sorriu, olhou para seu tenente e sorriu.
- Fez bem tenente. Como sabia o que eu estava procurando? – O tenente sentiu-se satisfeito em ter agradado seu mestre e saiu da casa fechando a porta atrás de si. Krang começou a retirar sua armadura pela parte superior. A garota chorava implorando pela sua pureza e vida. Krang jogou seu peitoral no chão e desafivelou seu cinto. Ouvia a garota nervosa iniciar o que parecia uma prece a seu pai. Krang não se importou. Apenas abaixou suas vestes o suficiente para que sua ferramenta de violência e imoralidade estivesse exposta. Deitou-se sobre o corpo da garota que reagiu tentando chutar de forma desastrada um inimigo que não conseguia ver. Krang teve o princípio de seu nefasto ritual de prazer atrasado, mesmo assim gargalhou com a tentativa frustrada da garota. Afastou-se das pernas dela e baixou seu punho contra o rosto dela. O impacto abriu um corte acima do olho da garota. Ela chorou de dor, mas afrouxou as pernas. O resultado esperado por Krang. Quando segurou as pernas dela para consumar sua vitória, foi interrompido por uma voz. Krang detestava ser incomodado durante a aquisição do espólio. Todos os seus homens sabiam que a morte era o único castigo possível.
- Os anos passam, mas certas coisas não mudam. Achei que estivesse morto, mas por sorte me enganei. – Disse uma voz nas costas de Krang. Ele levantou-se, sem virar para o seu interlocutor. Afivelou o cinto novamente. Na bainha dele repousava uma adaga. Item que Krang sempre fazia questão de carregar consigo. Sem responder, ele arremessou a arma. O disparo foi mais rápido que um raio e Krang disparou em investida contra o homem que o atrapalhara.
A adaga fora aparada com um cajado, mas nem mesmo um exército seria capaz de se interpor entre Krang e seu alvo. A velocidade dos ataques foram tão alta que a apara mal havia sido realizada e o homem tinha alcançado seu alvo. Não sabia quem era, mas quem quer que fosse estava imobilizado com um abraço devastador.
- Como ousa me interromper? Ninguém vivo nesse mundo tem coragem ou autoridade para atrapalhar meu espólio! – Falou Krang apertando as costelas de seu alvo. Para sua surpresa, a vítima apenas gargalhou. O bárbaro largou o alvo no chão sem esconder sua surpresa.
- Como você... De que jeito... MESTRE! – Krang ajoelhou-se imediatamente.
- Sim, meu fiel servo, eu voltei. – Falou o Senhor dos Bruxos. – Mais uma grande vitória pelo que vejo. – Krang levantou-se. Olhou seu mestre dos pés a cabeça. Não conseguia acreditar que seu mestre escapara do mundo dos mortos após tantos anos derrotado por Gorgio Amenophus.
- Mestre, nunca imaginei que voltaria.
- Nem eu, mas alguém conseguiu fazer o que poucos teriam conseguido nesse mundo. Vejo que não esqueceu de nosso velho acordo mesmo após minha morte. – Olhou para a armadura que estava no chão. O símbolo do peitoral era a bandeira do Senhor dos Bruxos.
- Mestre, fico feliz por ter vindo me procurar após todos essas anos. Sabe que nada mudou para mim, mas agora, com seu retorno teremos nossos tempos de glória novamente!
- Sim. E por isso vim buscá-lo. Mas achei algo impressionante. Dez anos atrás era só você. Hoje tem um exército.
- Sim. Homens fiéis a nossa causa, meu senhor.
- Eu tinha certeza que poderia contar com você, Krang. – O bárbaro saiu da casa e gritou ao tenente ordens para reunir todos os homens. O Senhor dos Bruxos apenas observou o que estava acontecendo. Ele queria encontrar Krang vivo e achou muito mais que isso. Um exército treinado e pronto para servir. O melhor de tudo era saber que essa força militar tinha conceitos que o próprio Senhor dos Bruxos defendia. Ele observou a cena que interrompera. Olhou a garota que murmurava um nome. Ele aproximou-se dela para entender o nome.
- Deris... pai... Deris... me salva... pai.... me salva... por favor...– Era o que ela dizia sem parar. O Senhor dos Bruxos não sabia de quem se tratava, mas tinha a certeza de que a garota jamais encontraria esse tal Deris em sua curta vida. Ouviu que a voz de Krang ficou mais alta que as demais. Foi até a rua ouvir o que ele dizia.
- Meus valentes guerreiros! Hoje nossa vitória está completa. Aqui o Senhor dos Bruxos em pessoa veio nos buscar. Ele quer nos conduzir para uma nova jornada em busca daquilo que desejamos. Chega de nos escondermos. Chega de comida ruim e mulheres usadas. O mundo é grande demais para ficarmos apenas com o que temos por essas terras. Eu convido a todos que se juntem em nossa busca pela conquista do mundo, pois como Senhor dos Bruxos como nosso guia. NADA PODERÁ NOS PARAR! QUEM ESTÁ COMIGO? – Imediatamente todos os homens gritaram em honra a seu mestre. O Senhor dos Bruxos observava com atenção a tudo. Então tomou a frente das tropas. Todos silenciaram ao ver o movimento dele.
-SANGUE E PODER! – Gritou o maior dos magos. Em seguida, dezenas de vozes gritaram a mesma coisa. O que Krang considerava um hino de sua vida. O Senhor dos Bruxos não estava mais ali. Sua mente vagava nas possibilidades de ter Krang como general em seu novo mundo. O líder dos mercenários estava mais excitado do que antes e olhou para seu mestre.
- O que deseja de mim, meu senhor?
- Que me dê motivos para crer que ainda é o mesmo homem de 10 anos atrás. – Krang viu que o Senhor dos Bruxos indicava a direção da casa que ambos haviam saído. O bárbaro despiu-se ali mesmo na frente de seu senhor e entrou na casa gritando o lema de sua vida. O Senhor dos Bruxos apenas aguardou alguns instantes até começar a ouvir os gritos que tanto excitavam o bárbaro. Ele apenas lamentou pelo tal Deris. Sentiria orgulho de ver que sua filha invocou seu nome contra Krang antes de sua morte. Só tinha visto coragem assim de uma menina no passado, mas da mesma forma que a garota do espólio da cidade, chamar seu pai não a ajudou a derrotar seu algoz.
A diferença é que o Senhor dos Bruxos sabia quem era o pai da menina e a vítima em questão. Pensou consigo naquele momento: onde estaria a pequena Zeophus?