Heróis da Nação


Na Cidade das Cidades, super-heróis, lutadores, robôs, vampiros e agentes secretos andam lado a lado — e a aventura nunca termina!

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Mensagem 12 Dez 2013, 21:33

Heróis da Nação

Estou repostando aqui a pedidos. É o thread que apareceu com o nome "A Era dos Super-Heróis Brasileiros" no antigo fórum.
Acho que "Heróis da Nação" é mais sintético. Repetindo o texto, a ideia era partir dos heróis brasileiros hoje esquecidos (Capitão 7, Homem-Lua, Judoka, Raio Negro, etc.) e criar um universo de rpg com personagens livremente inspirados neles, da mesma forma que os personagens de Mega City são livremente inspirados em Super-Homem e Batman.

Vamos lá:
Editado pela última vez por Alexandre Lancaster em 12 Dez 2013, 21:49, em um total de 1 vez.
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— Lancaster —
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Mensagem 12 Dez 2013, 21:37

Re: Heróis da Nação

O Começo

Os super-heróis surgiram nos Estados Unidos na virada dos anos 30/40, mas o nosso primeiro super-herói existiu de forma muito discreta em seu tempo – e por isso seria pouco lembrado. O herói alado conhecido como Carcará Vermelho[1] passou batido simplesmente por ter surgido fora do eixo Rio-São Paulo (mais especificamente, Goiânia). Nos dias de hoje sua história acabou por ser levantada: ele era o príncipe destronado de um império alienígena, oculto na Terra e lutando contra os invasores em meados dos anos quarenta. Como a invasão fosse debelada, ele eventualmente retornaria a seu planeta e pouco se sabe dele. Mas o primeiro super-herói conhecido publicamente em nosso país seria o Campeão Primeiro[2], em 1954. O Campeão foi um garoto abduzido por alienígenas e geneticamente modificado e treinado para servir como um general colaboracionista em nome dos invasores. No entanto, ele consegue se libertar da influência de seus mestres e se volta contra eles, retornando e protegendo a Terra, estabelecendo-se na capital do país (à época, o Rio de Janeiro).

Ele não seria o único. No começo dos anos 60, o tenente Alberico Boury da Força Aérea estava patrulhando a fronteira quando encontrou os escombros do que parecia ser outra aeronave. Na realidade, era um disco voador, com um cadáver alienígena que parecia inacreditavelmente vestir uma sombra viva. Boury tocou nas pulseiras desse alienígena e fez o traje se recolher, fazendo o alienígena se desmanchar a seus olhos. Rapidamente o oficial percebeu que eram as pulseiras que acionavam e recolhiam um traje de combate com poderes. E ele comunicou isso a seu superior imediato. A verdade é que seu superior era ligado ao IPES – o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais, que na verdade se tornaria o berço conspiratório do Golpe de 1964. E em um cenário com super-heróis como o Campeão Primeiro ou o misterioso Aamo, o Espírito da Lua[3] – que sempre foi arredio e muitas vezes se voltou contra as autoridades, pareceu interessante ter um super-herói a serviço de seus interesses. Assim nasceu o Luz Negra[4].


O Golpe de 1964

Entre 1954 e 1964, tivemos um número razoável de super-heróis – em sua maioria aventureiros mascarados, sem grandes poderes. Alguns deles se tornaram polêmicos como Aamo – de quem hoje se sabe que era um indianista, deparando-se com o fato que a tribo que ele ia estudar estava vivendo mais e mais como o homem branco (e isso destruiria a cultura pelo qual ele era apaixonado e queria estudar); por isso, criou um traje refrigerado para servir de protetor dos índios, e meio que servir de um item de controle social para evitar que eles se desviassem da cultura de seu povo. Outro herói digno de nota era Malyr, o Mistério Vivo[5]; ele é um alien que ficou preso no brasil graças a um acidente e não tinha um corpo em termos humanos; é um ser basicamente energético que pode converter energia em matéria e com isso criar um corpo sintético com o qual interage conosco. Sua nave está bem escondida e até onde se sabe, pela diferença de recursos envolvidos, ele nunca pôde consertá-la para voltar para casa. Outro herói atípico foi Otep[6], um estudioso de misticismo egípcio que trouxe de volta ao mundo os poderes dos antigos deuses do Egito – mas quanto mais os usava, mais de distanciava da humanidade. Por fim havia Seláquio, o Homem-Peixe [7] – um peixe mutante criado por vazamentos radioativos de submarinos nucleares americanos em meio ao oceano atlântico, em território Brasileiro. Ele tentava alertar para o que iria acontecer, mas ninguém acreditaria em uma criatura-peixe...

Em meio a isso, Luz Negra fazia seu papel de herói em público, e era talvez o único de todos a ter apoio irrestrito da grande imprensa, fazendo parte secretamente da Operação Condor – http://pt.wikipedia.org/wiki/Operação_Condor – participando das reuniões do IPES. No fim, quando ocorreu o Golpe de 1964, Luz Negra convocou todos os heróis importantes e deixou claro: na fronteira dos limites territoriais brasileiros do Oceano, estava uma esquadra imensa de Marines, prontos para o caso dos militares brasileiros fracassarem no golpe. Se os Heróis interferissem contra os militares rebelados, ou atacassem a esquadra americana, o Brasil seria invadido por hordas de supers americanos "contra o comunismo". Os heróis brasileiros seriam vistos como vilões para o mundo, com a ajuda da imprensa e do cinema. E seria impossível proteger a vida de civis. Milhares morreriam.

A maior parte dos heróis penduraram a capa, menos Aamo. Isso teria consequências trágicas na década seguinte. O Campeão Primeiro se aposentou, já tendo casado (a princípio a contragosto) com a filha de um coronel aposentado de polícia que morava no Grajaú (ele tinha mais de trinta anos quando isso aconteceu e ela era uma normalista de quinze anos; mas mesmo ele sendo invulnerável a tiros de espingarda, sua identidade secreta em tese não tinha. Teve sete filhos entre 1969 e 1981). Seláquio voltou ao oceano, Malyr desapareceu e outros heróis menores daquele tempo ou desistiram, ou tentaram agir assim mesmo – sendo presos e mortos pela ditadura ou recuando após a primeira pressão realmente perigosa. Otep, por sua vez, não pareceu encarar isso como o fim do mundo; parecia mais interessado em prosseguir em um caminho de evolução espiritual do que se preocupar com o mundo dos homens. Dos heróis mais antigos, Aamo teve o destino mais trágico, sendo traído pelas tribos que estavam sob seu comando – e morrendo sob tortura dos militares em 1973.

Isso não impediu o surgimento de outros heróis. Na virada dos anos 60 para os 70, certamente o mais proeminente foi Marcial [8], um jovem mascarado que cruzava o país com sua moto e enfrentava de grandes coronéis a madeireiras ilegais. Ele dominava a técnica misteriosa conhecida como Shian Kai, e se considerava seguro por estar sempre em movimento pelo país, chegando a treinar sua noiva e a tornando sua sidekick. No entanto, quando ela engravidou em 1974, ambos foram capturados e um militar faria nela o aborto com uso de insturmentos de tortura, na sua frente. Marcial o matou antes que ele fizesse isso, e fugiu com ela para o Uruguai, só retornando anos após a lei da anistia. Mas sua carreira como herói mascarado chegou ao fim.

Outro herói foi o Guitarra[7], um jovem mascarado que passou a agir entre 1969 e 1971 com uma guitarra cheia de armas especiais e ataques sonoros, desapareceu misteriosamente. Nos anos oitenta, se descobriu que na verdade ele era Carlos Augusto, um cantor da Jovem Guarda que combatia o crime por diversão. Mas por agir como um super-herói, foi capturado, pesadamente interrogado e torturado – permanecendo na cadeia por três anos. Os traumas da tortura tiveram efeitos psicológicos graves, e nos anos oitenta sua família foi à público para expôr o que foi feito com o rapaz. Até hoje, o torturador – que atendia pelo codinome de Dr. Alicate – permanece livre, morando em Higienópolis, bairro de São Paulo, escrevendo colunas para grandes jornais da cidade.


A Redemocratização e a Década Perdida

É de se perguntar porque os super-heróis não voltaram com tudo durante os anos da redemocratização. A verdade é que a ressaca do patriotismo causada pelos anos pós-ditadura, os danos feitos pelos militares à uma incipiente comunidade heroica e o desencanto causado pelo Plano Cruzado – que levantou a esperança da população e depois puxou seu tapete, quebrando as expectativas gerais, afundando ainda mais o país e destruindo a auto-estima de uma geração – criaram uma sensação de que o Brasil não merecia ser protegido ou defendido. Para piorar, o primeiro super brasileiro a manifestar publicamente poderes em público – o jovem Cléverson Cleiton, usou os poderes para sair do país e se juntar a um grupo americano, sediado em Miami, sob o codinome de Firecracker. Nunca houve alguém tão desprezado quanto ele, que da última vez que pisou no Brasil (em 1993), mandou uma banana para o povo em público.

Mas Firecracker teve um efeito importante: fazer com que o legado dos antigos heróis voltassem a publico, revoltados com o exemplo dessa figura. Filhos e netos do Campeão Primeiro entraram na ativa, querendo transmitir o legado de seu pai.

Os heróis voltariam ao Brasil, finalmente.


A Grande Divisão

A primeira década após o retorno dos supers no Brasil foi um tanto incerta, povoada por legados de heróis antigos que retornaram. A mídia martelava a pergunta: super-heróis eram realmente importantes no Brasil? Se surgisse uma ameaça planetária, grupos americanos salvariam o mundo. Os maiores jornais do país os tratavam entre a excentricidade e a piada. Foi quando no início da década de 2000, o Marcial original voltou a mídia. Ele expôs o que quase aconteceu a sua esposa – somando-se às vozes da família do Guitarra e de outros heróis que pereceram ou foram torturados durante a Ditadura. Ao ver que não se fariam ouvir, ele decidiu falar à juventude – da necessidade de se fazer pelas próprias mãos um país melhor ao invés de reclamar da vida ou fazer o que os outros façam. Isso culminou na escolha de um novo discípulo – que futuramente viria a assumir o papel do novo Marcial.

Só que quando ele fez isso, surgiu também o herdeiro de ninguém menos do que o Luz Negra, para incômodo e consternação de pessoas ligadas a heróis antigos.

A década seguinte cozinhou a divisão que se estabeleceria nos novos heróis que surgiam: os herdeiros do Campeão Primeiro procuravam apaziguar os ânimos e apagar os ânimos, mas o que se desenhava era um conflito claro de posições. Enquanto o novo Marcial passou a ser a voz de uma postura de proatividade, da necessidade de agir para se criar mudanças contra as injustiças, o Luz Negra definia que os heróis deveriam manter a lei e a ordem – se a política é corrupta, a sociedade deve limpar a corrupção; isso não é função dos super-heróis.

Enquanto isso, a grande mídia parece ter aceitado melhor os heróis e tomado o partido do Luz Negra – que diferente da postura séria do seu antecessor, tem um tom mais discursivo e agressivo, tratando Marcial como um irresponsável cujo discurso cria terroristas em potencial, não super-heróis. Já o novo Marcial, por sua vez, sabe quem foi o Luz Negra original mas não tem como dizer isso na mídia – até porque ela parece se alinhar ao seu oponente. Ele vê nos heróis conservadores de Luz Negra a tropa de choque de uma mentalidade repressora – e na verdade, ele não está muito errado. Para piorar, entre os novos descendentes do clã do Campeão Primeiro, já há heróis que tomaram um lado ou outro, enfraquecendo o controle exercido pelo velho clã.

Estamos em 2012 e resta a pergunta: que herói você será para seu país?

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[1] Carcará Vermelho – inspirado no Capitão Gralha de Francisco Iwerten (1940)
[2] Campeão Primeiro – inspirado no Capitão 7 de Rubem Biáfora (1954)
[3] Aamo, o Espírito da Lua – inspirado no Homem-Lua de Gedeone Malagola (1965)
[4] Luz Negra – inspirado no Raio Negro de Gedeone Malagola (1964)
[5] Malyr, o Mistério Vivo – Inspirado no Mylar, o Homem Mistério de Luiz Meri e Eugênio Colonesse (1967)
[6] Otep – Inspirado em Mystiko, de Percival de Sousa e Rubens Cordeiro (1967)
[7] Seláquio, o Homem-Peixe – Inspirado no Hydroman de Gedeone Malagola e Momoki Akimoto (Provavelmente 1964 ou 1965)
[8] Guitarra – Inspirado no Golden Guitar, de Rivaldo Macedo e Anísio Torres (1966)
[9] Marcial – Inspirado no Judoka, de Pedro Anísio e Eduardo Baron (1969)
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Mensagem 12 Dez 2013, 21:42

Re: Heróis da Nação

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MARCIAL (Eduardo Aguinaga) – 42 Pontos

F3 H5 R4 A3 PdF 3

Treinamento Especial: Shian Kai; Motivador; Vigoroso (+8 de resistência), Reflexos de Combate (+1 em iniciativa e FD), Duro de Matar, Bloqueio, Cotovelada, Chute Circular, Cambalhota do Macaco, Defesa do Tigre, Makiwara (Duplica Armadura), Chute Direto, Voadora, Ataque Múltiplo, Ataque Especial ("Punho da Justiça": Penetrante, Poderoso e Perigoso), Deflexão, Mentor (Pedro Savater), Torcida (ele atrai a simpatia dos mais jovens)

Eduardo Aguinaga é o discípulo de Pedro Savater, o Marcial dos anos 70. Foi muito difícil para Savater treiná-lo em segredo, já que este é uma figura pública e a identidade secreta do seu discípulo precisava ser preservada: após voltar do Uruguai (chegando a ser eleito deputado em 1982 pelo Rio de Janeiro, com três mandatos seguidos – o primeiro pelo PDT de Leonel Brizola, na enxurrada eleitoral conhecida à época como "Socialismo Moreno"; dissidências fizeram com que ele migrasse para outros partidos nos mandatos seguintes), ele se tornou uma figura pública, batendo de frente contra a ocultação dos crimes da ditadura e expondo abertamente a figura do Luz Negra original como colaborador do regime militar (algo que nunca foi para frente tanto pelo fato de que o Luz Negra estava protegido pelo anonimato de sua identidade secreta quanto pelo desinteresse conveniente da grande imprensa).

Savater procurou um discípulo que não apenas pudesse ser um herdeiro valoroso de sua técnica de luta, o Shian Kai, como também tivesse características de liderança,e motivação e carisma para passar uma mensagem com seus atos. Encontrou esse jovem nos subúrbios da Zona Oeste do Rio de Janeiro, que margeiam a linha do trem. Eduardo Aguinaga era um jovem que quase foi morto ao evitar que um bando de jiu-juteiros da Barra da Tijuca incendiassem um mendigo por diversão. Nada aconteceu com os jiu-juteiros, filhos de famílias ricas da Barra – sendo um deles Juiz. Savater ofereceu todos os recursos para treiná-lo pessoalmente.

Aguinaga assumiu o manto do Marcial em público com a bênção de Savater – sabe-se apenas que ele foi seu discípulo nas artes marciais e na técnica secreta do Shian Kai. E colaborou com a caça aos criminosos nas UPPs, procurando lidar diretamente na base do bom exemplo para os jovens. Ao mesmo tempo, conseguiu destaque com a comunidade heroica, servindo de exemplo para vários jovens heróis que o admiram. O fato dele adotar um visual radicamente diferente do seu inspirador – menos próximo aos supers de malha colante de seu tempo e mais parecido com os personagens de videogames de luta – fez com que ele criasse algum tipo de empatia pública. Seu discurso era simples: seja proativo, lute pela justiça, mais do que pela lei – porque muitas vezes a lei protege as injustiças.

O que ninguém esperava foi que o Luz Negra original também treinasse um sucessor. E que seu conservadorismo radical transformasse o que era mero alinhamento de ideias em polarização total. Hoje se espera de um jovem herói que tome partido entre as visões de Luz Negra ou as de Marcial. E nem era isso o que Marcial queria: ele queria apenas dar o bom exemplo para as novas gerações e lutar o bom combate. Atualmente Aguinaga trabalha na ong de Savater, dando aulas de artes marciais tradicionais para crianças pobres e ensinando a elas disciplina. Está saindo com uma jovem professora primária. Mas sob seus ombros agora repousa um peso imenso: ele tem que bater contra a influência das ideias severas do Luz Negra, que encontra amparo na televisão e nos jornais. E ele se manterá de pé, representando ideias e pondo-as em prática com suas capacidades.
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Mensagem 12 Dez 2013, 21:45

Re: Heróis da Nação

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LUZ NEGRA (Luiz Astor Glória) – 42 Pontos

F3 H5 R3 A3 PdF 5

Motivador; Treinamento Especial (Militar); Vigoroso; Intolerante (Não abertamente, mas tem certos preconceitos de classe visíveis em declarações e atitudes); Adaptação, Domínio das Trevas, Campo de Força, Criar Objeto, Densidade, Tiro Múltiplo, aceleração, vôo, Boa fama (a televisão e os jornais parecem tê-lo abraçado), ataque especial (raio de matéria escura: Penetrante, Preciso e Teleguiado: baseado em PdF), Patrono, Deflexão, Bateria, Pontos de Vida Extras (X3) e Arena: Céu

Muitas pessoas enxergam o Luz Negra como um herói tradicional, representante de outros tempos, mesmo que sob o manto de um herdeiro. E o próprio Luz Negra não pensa no seu antecessor como um executor frio, um traidor ou um torturador; no seu entender, este cumpriu o seu dever. É verdade que ele nunca chegou aos extremos do Luz Negra original, nunca participou de nenhuma conspiração e nem manchou suas mãos de sangue. Na verdade, ele cumpre muito bem o seu trabalho de super-herói. Mas também não se pode dizer que ele é uma vítima inocente de manipulação ou algo assim.

Luiz Astor Glória na verdade nunca teve um perfil muito diferente de outros jovens de classe média como ele: Nascido e criado em Pirassununga, no interior do Estado de São Paulo, não era de se espantar que ele quisesse se juntar a Academia da Força Aérea da cidade para um dia pilotar aviões. Como seus pais eram muito corretos moralmente dentro do que acreditavam e repassavam ao filho, mas ao mesmo tempo essa visão era permeada por sua cota de teias de aranha e pequenos preconceitos domésticos, ele nunca foi uma pessoa muito flexível. Isso – e o seu desempenho notável como cadete da aeronáutica – fizeram que ele despontasse como o primeiro de sua turma, e uma promessa no meio militar.

Isso chamou a atenção de pessoas ligadas ao Marechal-do-Ar Alberico Boury – que o puseram em contato com o rapaz. Após avaliarem discretamente tudo o que fosse necessário sobre seu alvo, chegaram a conclusão que ele tinha o perfil necessário para ser o novo Luz Negra; o que lhe faltasse, lhe seria instruído. Assim, ele foi formalmente apresentado ao Marechal Boury e se tornou seu pupilo, encantado com a possibilidade de se tornar um super-herói. Poucos anos de treinamento bastaram. Astor Glória se tornou o novo Luz Negra.

Alguns heróis como o Clã dos Campeões – os filhos e netos do Campeão Primeiro – se mostravam pesadamente desconfortáveis com sua figura. É claro que eles sabiam claramente o que aconteceu em 1964 e permaneceu em segredo. Especialmente porque o novo Luz Negra sabe o que seu antecessor fez – e acha que ele fez o correto, porque no seu entender "era uma guerra que estava sendo travada". Acha também que os demais heróis que penduraram a capa deram as costas ao país na "luta contra o comunismo". Por fim, acha que o discurso de uma figura como o Marcial – cujo mentor ele vê como um subversivo – é corruptor para a juventude e para os novos heróis. E por isso ele não se incomoda e verbalizar isso em frente as câmeras – muito para a alegria dos editoriais dos grandes jornais.

No seu entender, o super-herói não deve tentar transformar a sociedade – isso tem que ser feito por ela. o super-herói tem que ser como um policial que tem poderes maiores para lidar com ameaças maiores. Nada mais, nada menos. No entanto, caso a integridade do país seja ameaçada, um super "tem que tomar o partido dos interesses da nação". E ele não tem o menor pudor de chamar o Marcial original de "Terrorista".

Não é preciso dizer que os novos Marcial e Luz Negra se detestam até mais do que seus antecessores entre si. Eles já tiveram que lutar juntos – notadamente na grande invasão do Império Iwerten, o mesmo que tentou invadir o Planeta através do nosso país nos anos 40 e foi expulso graças ao obscuro herói Carcará Vermelho – mas essas situações são ocasionais. Todos sabem que cedo ou tarde, os dois irão a um conflito de fato. A questão é se ambos – ou mesmo toda a comunidade super-heroica do país – tem realmente a ganhar com isso.
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Mensagem 12 Dez 2013, 21:46

Re: Heróis da Nação

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MALYR, O MISTÉRIO VIVO – 42 pontos

F2 H4 R5 A4 PdF5

Vantagem Única: Alien (R +1; Armadura Extra para Fogo, Frio, Elétrico, Químico, Sônico; Inculto – na verdade, nossa cultura lhe parece ser primitiva demais para ele compreendê-la – e a vantagem Energia Extra nível 2 por 1 ponto); Energia Vital; Genialidade (na verdade, ele apenas está em vantagem tecnológica em relação a nós); Memória Expandida; Toque de Energia; Vôo; Sentidos Especiais (infravisão, radar, rádio, ver o invisível, visão de raio x, audição aguçada); Teleporte; Vôo; Ataque Especial (rajada de energia: Preciso e Teleguiado); Campo de Força; Domínio Gravitacional; Intangível; Vulnerabilidade: Interferência

Aprisionado há décadas em nosso planeta graças a uma nave espacial danificada, Malyr nem de longe pode ser considerado algo próximo do que chamamos de humano: a evolução de seu povo os levou a um ponto além da nossa compreensão; o mais próximo que podemos entender disso é que eles se tornaram uma espécie de energia viva, além das nossas necessidades físicas. No entanto, para poder interagir com povos de outros planetas, eles usam suas capacidades para se manifestar em uma forma física que não vai causar curto-circuito naqueles que os tocarem. No entanto, que ninguém pense nesse corpo como um organismo: ele é um saco sólido de energia. Só.

Não é preciso dizer, após tudo isso, que sua sensação ao trafegar entre os humanos é a mesma de um homem comum, caso fosse jogado no passado distante, e ter que trafegar entre dinossauros, sem ninguém para conviver. Por isso mesmo, ele se juntou ao que se chama de "comunidade super-heróica" de seu tempo: por terem poderes, ele entendeu que a raça ainda estava em seu processo de evolução, e quem sabe ele poderia encontrar em meio a aquelas pessoas uma forma de reparar sua nave, ou encontrar ajuda para retornar a seu planeta.

O que ele não contava era com as mudanças políticas que seu lar adotivo teria – e por causa disso, ele se recolheu em sua nave em animação suspensa, até que ele pudesse fazer algo mais arriscado: controlar sua energia para assumir uma forma completamente humana, evitando que o fluxo de energia do seu corpo ficasse visível. Eventualmente, ele conseguiu – e por não compartilhar realmente das necessidades físicas dos humanos (leia-se, alimentação como a conhecemos e sexo), ele pôde se manter com um certo conforto circulando entre as pessoas e entendendo o mundo. E ele não gostou nada do que viu.

Há muitas raças conquistadoras no espaço que, chegando a um nível tecnológico adequado, espalham horrores pelo universo. Ele viu na humanidade o potencial parasitário e destrutivo, empregado contra sua própria espécie – caminho que levou a povos que com o tempo foram escorraçados por raças mais poderosas. Por outro lado, ele também viu o potencial dos humanos a aspirações mais nobres – muitas vezes sendo esmagado por seu lado negativo. Em suma, essa espécie chegou a seu momento de encruzilhada. E neste processo, ele encontrou uma missão maior: tomar o partido de sua evolução, para que no futuro, eles não semeiem sua própria extinção.

O problema é que Malyr, dentro dos parâmetros de sua espécie, não é mais ou menos falho do que nenhum de nós. Ele pode parecer estranhamente acima de nós em uma primeira olhada, mas na verdade ele é apenas diferente – e ele sabe disso. Ao voltar ao país aonde sua nave naufragou, após décadas, para enxergar uma possível rota de colisão da comunidade super-heróica local, ele sabe que nada disso pode acabar bem.

Talvez ele escolha um dos lados. Talvez ele interfira contra ambos. E ele também está ciente de que por sua falta de compreensão plena da espécie, qualquer que seja a sua decisão, ela pode ser a decisão errada…
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Mensagem 12 Dez 2013, 21:47

Re: Heróis da Nação

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OTEP, O MÍSTICO (Erisberto Martins) – 92 Pontos

F2 H5 R2 A1 PdF 5

Vôo; Teleporte; Sobrevivência; Arcano; Magia Elemental (Cosmos); Alquimista; Área de Batalha (outra dimensão); Energia Extra (nível 2); Pontos de Magia Extras (50 pontos); Resistência a Magia; Xamã; Banco Dimensional; Controle de Sorte; Idiomas (Idioma Universal, Animais, Plantas); Ilusão; Movimento Temporal; Percepção Extra-Sensorial; Intuição; Mago Planar (Teleportação; Teleportação Avançada de Vectorius; Teleportação Planar – todas por metade do custo em uso de PM); Guia (planos; +1 de H em testes de perícia); Explorador Planar (saber navegar em planos desconhecidos, tendo bons resultados com 1, 2 ou 3 no dado),

Otep é talvez um dos magos mais poderosos de toda a Terra. Talvez "O" mais poderoso deles. Mas a verdade é que ele não está tão interessado na humanidade como um dia já esteve. É compreensível. Vivendo na cidade de Vitória (no Espírito Santo) dos anos 50, ele não teve o melhor dos exemplos: por ser negro e pobre, ouvia até mesmo dentro de casa o discurso fatalista de que não adiantava estudar, que ele tinha que pegar no pesado como todo mundo. Ele pretendia trabalhar para reunir dinheiro para sua faculdade, mas sabia que se o fizesse, iria ser pressionado para usar esse dinheiro para ajudar nas contas na casa – ele tinha quatro irmãos inclusive, e de nada adiantaria seu esforço para ter uma vida. Por isso, ele arrumou uma desculpa para sair de lá e foi para o Rio de Janeiro – onde aturaria o mesmo discurso no ouvido, mas agora estaria segurando o dinheiro por sua conta. Talvez por isso ele tenha se tornado um tanto anti-social, afundando-se nos livros. Após batalhar muito, ele conseguiu se formar em biblioteconomia – e no final dos anos 50, ele arrumou trabalho na Biblioteca Nacional.

Lá, ele teve acesso a livros que nem sonhava – e começou a mergulhar nos mistérios de povos antigos como os Egípcios e os Babilônios. Esse assunto dominou sua mente: ele rapidamente começou a se interessar pela magia iniciática da antiguidade – e por promessas de evolução espiritual. Assim, na sua solidão pessoal, ele começou a pôr em prática o que aprendia. Sabendo que magos tem que ter um nome místico próprio, ele assumiu o nome de Otep – uma corruptela do sufixo egípcio Hotep, que significa "estar satisfeito, em paz". No entanto, a incompletitude do nome, sem que ele percebesse, traía uma característica sua: a sua incapacidade de alcançar plenamente paz e satisfação. Algo que ele acabou buscando, à medida em que foi reunindo poder, ao agir para a sociedade como um super-herói. Ele não era tão poderoso como hoje, mas sua capacidade era considerável. No entanto, isso não o pacificou internamente como ele esperava; à medida em que foi reunindo poder, e voltando-se mais e mais a uma busca pessoal por evolução espiritual, Otep gradualmente foi perdendo o pouco interesse que ainda tinha pela humanidade.

Por isso, quando o Luz Negra original deu seu ultimato contra os principais heróis do país, ele – que talvez era o mais capacitado a fazer algo de efetivo contra os militares e as forças invasoras que agiriam caso aqueles falhassem – simplesmente se recolheu, continuando a dividir-se entre a biblioteconomia (da qual se aposentaria oficialmente nos anos 90) e seu aprendizado místico. No começo dos anos 70, porém, ele tentou arrumar um discípulo – porque queria se desobrigar de uma vez da necessidade que todo mago tem de passar o conhecimento adiante, e se manter no seu próprio caminho depois disso. Cometeu um erro: o rapaz tinha uma sede enorme de conhecimento e com tanto poder, acabou se voltando contra suas ordens, agindo em público. Desapareceu misteriosamente após enfrentar o Luz Negra.

Isso fez Otep se conscientizar de que precisava encontrar uma forma mais eficiente de repassar seu conhecimento sem oferecer poder demais – e só abrindo as portas mais avançadas a aqueles que estavam voltados, sim, a algum propósito concreto de evolução espiritual – permitindo assim que ele não precisasse desviar de seu próprio caminho. Assim ele criou uma congregação de aprendizes conhecida como O Círculo. Em um certo grau, eles acabam se tornando magos competentes e com o tempo eles repassam seu conhecimento místico – mas eles só chegam a determinado ponto, por mais que acreditem ser poderosos. Caso algum realmente se torne merecedor, ele será percebido como tal por Otep – que o oferecerá a possibilidade de ir além, mas para isso ele tem que cortar seus laços com o mundano, da mesma forma que Otep o fez. Por isso mesmo, os raros que tiveram essa chance a negaram.

É essa a encruzilhada que Otep impôs a aqueles que ganharam poder através do Círculo: manter-se limitado (ou ter que bater cabeça para evoluir) em nome das pessoas que precisam de suas capacidades ou largá-las em prol de uma evolução maior em termos de conhecimento e poder? Essa nunca será uma decisão fácil.
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Mensagem 12 Dez 2013, 21:48

Re: Heróis da Nação

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CAMPEÃO PRIMEIRO (Rubem Ayres) – 85 pontos

F10 H4 R10 A9 PdF9

Aceleração, Ataque Múltiplo, Boa Fama (como super-herói, especialmente entre os que viveram os anos 50 e 60), Energia Extra Total, Memória Expandida, Pontos de vida Extras, Sentidos Especiais (audição aguçada, visão aguçada, visão de raio X), Torcida e Voo; Código de Honra dos Heróis; ciência, esporte e investigação.

Hoje aposentado aos 78 anos (embora na aparência lembre um homem de pouco menos de 60, com uma saúde invejável para a idade), ele sempre será lembrado como o primeiro super-herói brasileiro (convenhamos, o Carcará Vermelho dos anos 40 nunca teve impacto cultural). Há elementos de sua história que são publicamente conhecidos: ele foi abduzido aos treze anos de idade pelos aliens do planeta Armorik, que pretendiam dominar o planeta. Sua função seria a de fazer boa parte do trabalho sujo com seus super-poderes, abrindo terreno para as tropas invasoras. Só que ao retornar a terra, sua nave sofreu um acidente que despertou suas antigas lembranças como um ser humano normal. Assim, ele assumiria o manto de Campeão para proteger o país dos invasores, já que se você não proteger sua própria casa, ninguém o fará – e outros garotos poderão passar pelo que ele passou um dia, arrancados de seus lares e família. Bom, isso é a parte que nos dias de hoje, todos sabem.

O que pouquíssima gente faz idéia é que em sua identidade secreta, ele é uma pessoa comum chamada Rubem Ayres. A primeira coisa que ele fez ao recobrar a memória foi retornar a seu lar, com vinte anos de idade. Lá ele reencontrou sua família, devastada por seu desaparecimento. Sua explicação fajuta foi simples: ele teria sido sequestrado e usado em trabalhos forçados numa fazenda do interior, tendo conseguido fugir – o que não é muito diferente da verdade, e é mais plausível do que contar que foi raptado por aliens. O problema foi recuperar o tempo perdido: com a inteligência ampliada, foi fácil fazer um curso supletivo (aquilo que na época era conhecido como Artigo 42) e reconstruir a vida. Havia um empecilho emocional aqui: suas memórias sofreram uma pausa após o rapto. Embora ele se lembre de tudo o que passou nas mãos dos Armoriks, é como se essas memórias fossem um hiato e ele só tivesse retomado sua vida após recuperar suas antigas lembranças. Em suma, mentalmente ele voltou a ser o garoto de treze anos que um dia foi, antes da abdução.

Faz sentido que a primeira coisa que um garoto de treze anos queira fazer com seus superpoderes seja ser um super-herói. E ele acabou exercendo o papel em moldes ideais (como só um menino tentaria ser?), enfrentando alienígenas, criminosos, supervilões – e fazendo parte da memória nostálgica que o Brasil construiu a respeito dos anos 50, ao lado da Bossa Nova, da Seleção Brasileira de 1958, das Chanchadas da Atlântida e do DKW Vemag. Muitos consideram que se ele não tivesse dado o exemplo, outras pessoas super-poderosas do país não o fariam em seu tempo.

Mas a sua maior preocupação era doméstica: cuidar das feridas emocionais da sua famíia após sete anos de ausência forçada. Após conseguir seu diploma supletivo, começou a estudar para fazer um concurso público – e passou a trabalhar como um quieto burocrata, embora só tenha saído da casa dos pais quase aos trinta e cinco. O que mudou sua vida foi o golpe de 1964 – e a traição de alguém que ele via como um amigo e companheiro de lutas, Luz Negra. O Campeão Primeiro se deu conta da serpente que existia entre a comunidade heroica, e de certa forma, foi esse o golpe que finalmente o tornou finalmente um adulto. Mesmo hoje, o Campeão o considera o pior dos vilões – um corruptor que ainda precisa ser punido por seus crimes.

Ao mesmo tempo, ele estava envolvido com Sylvia Gonçalvo, uma moça bem mais nova que sabia de seus superpoderes – e até mesmo porque ele tinha dificuldades de encontrar identificação entre as mulheres da própria idade, os dois se entenderam mais do que deveriam. Com isso, Rubem acabou sendo pressionado a se casar. A diferença de idade poderia ter sido a raiz de um desastre – mas por uma dessas sortes do destino, não foi isso o que aconteceu. Sylvia (hoje com quase sessenta anos) se revelou uma esposa melhor do que a encomenda; e longe da capa, Ayres pôde dar vazão ao que mais lhe importava no mundo: a ideia de família unida.

O que ele deveria ter previsto é que seus sete filhos também teriam superpoderes – e proles grandes.

Embora ele não faça feio com a malha colante, o Campeão não pensa em retomar a capa. Primeiro, porque ele não está ficando mais jovem a cada dia – ele pode ser um idoso de 78 anos com modificações físicas que o tornaram mais poderoso e em melhores condições físicas do que outras pessoas de sua idade, mas AINDA é um idoso de 78 anos, com menos poder do que já teve um dia; e por outro lado, ele já encontrou sucessores: alguns de seus filhos e praticamente todos os netos (os poucos bisnetos ainda são pequenos demais) em idade de entrar em batalha já estão com suas identidades heroicas e formam o Clã dos Campeões, que não são exatamente um supergrupo, mas partilham um laço que une a todos. Em média eles não são tão poderosos quanto o patriarca da família, mas eles com certeza são os heróis mais poderosos do país. No entanto, a semente de divisão já se encontra plantada – em especial por causa da polarização causada entre o novo Luz Negra e o novo Marcial. E ele sabe muito bem como o Luz Negra corrompe o que toca.

Pode ser que, contra sua vontade, o Campeão Primeiro retorne para uma última batalha…
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Mensagem 12 Dez 2013, 21:49

Re: Heróis da Nação

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AGENTE DE ELITE (Roberto Moura) – 25 pontos

F2 H4 R3 A2 PdF3

Patrono (polícia); Pontos de Vida Extra (+6PVs); Tiro Múltiplo; Esporte; Sobrevivência; Equipamento X 14 (Armadura do Agente de Elite); Reflexos de Combate

Armadura: F7 H8 R7 A8 PdF11; Movimentos especiais: Aceleração; Adaptador; Balançar-se (corda com arpéu), Escalar, Queda Lenta; Salto; Ruína; Tiro Carregável; Tiro Múltiplo; Pontos de Vida Extras (+24; correspondente a proteção extra que a armadura lhe dá); Torcida (de modo geral, o Agente é popular em áreas de classe média); Sentidos Especiais (Radar, Infravisão, Rádio); Ataque Especial (Rajada de Tiros ou Energia, quando ele está com armas de fogo acopladas – dano por PdF: Amplo; Penetrante; Preciso, ao custo de 5PM por ataque); Comunicação (Até 3PMs, na mesma cidade; essencialmente, é sua equipe de apoio, falando por uma rede fechada); Obstruir Movimento (derrubando tudo pelo caminho); Assustador; Contatos; Poderes Legais; Munição Limitada. Custo: 70 Pontos


A volta dos super-heróis trouxe também uma realidade incômoda: a volta dos super-vilões – ou pelo menos dos bandidos comuns usando tecnologia acima do normal. É verdade que o crime jamais descansou no País, começando nas ruas, se espalhando pelos cantos e plantando raízes no congresso nacional; na polícia, havia a mentalidade de que os supers estavam fazendo o seu trabalho – o que não é nada bom para a imagem da instituição, que já não é nada boa. Era preciso de alguém que cumprisse esse trabalho, que fosse um super-policial – e que, principalmente, estivesse limpo da tradicional corrupção policial, para evitar que alguma investigação da grande imprensa o derrubasse em um primeiro momento.

Com isso, escolheram um oficial do BOPE para a missão de ser o super-policial oficial do Rio de Janeiro, capaz de subir aos morros, enfrentar aqueles que querem trazer de volta o tráfico às UPPs, e carregar armas que nem os piores traficantes seriam capazes de encarar. Para isso, o escolhido foi o Capitão Roberto Moura, divorciado, pai de uma filha adolescente (do qual não tem a guarda) e lembrado como um dos membros mais incorruptíveis – e violentos – da corporação. Ele estava destinado a uma nova missão: se tornar um exército de um homem só. Para mantê-lo isolado do resto da polícia, foi criado o Primeiro Distrito Especial Avançado de Polícia – do qual ele é o único agente de campo. Todos os demais, entre mecânicos e burocratas cuidam do andamento geral do Distrito e da miríade de equipamentos que o nosso agente pode usar contra o crime.

Sua armadura é especial e preparada para a sua missão de enfrentar criminosos com superpoderes ou equipamentos extremamente avançados: ela é coberta de encaixes, para que ele possa acoplar todo tipo de arma especial ou máquinas em seu corpo. De bazucas de energia a jetpacks, tudo o que ele precisar, ele terá a disposição – com a devida aprovação de seu comandante, Alcino Ferraz (o único que conhece sua identidade). O medo geral é que ele abuse de sua capacidade contra seus oponentes, algo que será explorado pela imprensa caso ela queira atingir o governador. Logo, seus movimentos estão mais do que vigiados.

Mas mesmo sem equipamentos, o agente pode fazer muita coisa – graças a sua armadura, ele é capaz de grandes saltos e correr a grandes velocidades – além de ter uma cobertura interna de tecido a prova de balas. Sua força foi ampliada e embora ele não seja nenhum campeão primeiro, ele pode abrir um buraco em paredes de concreto com os punhos. Junte a isso uma presença intimidatória – o Agente de Elite sabe se fazer respeitar com um mero rosnado – e ele é um dos heróis mais respeitados do país, sem falar que é o único cujos atos tem respaldo legal. Em suma, embora sua identidade seja secreta e suas ameaças mais espetaculares, ele ainda é um policial como qualquer outro, com os mesmos poderes e restrições legais.

O que incomoda a muitos é sua fibra moral. Um dos motivos pelo qual ele foi escolhido é que ele pode se voltar contra a própria corrupção da polícia. No fundo, muitas pessoas vêem um super-herói como um lutador de telecatch que solta raios; mantendo o Capitão Moura contra ameaças em um escopo menos pé-no-chão, certos setores da polícia se sentem seguros. Mas quem disse que ele topou se tornar o Agente de Elite apenas como um golpe publicitário feito para melhorar a imagem da polícia? Quando ele entrou no BOPE, entendeu que se juntou a uma guerra. E para ele a guerra não apenas continua, como se tornou maior. Muito maior.
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Mensagem 12 Dez 2013, 21:50

Re: Heróis da Nação

VILÕES, INVASORES E CRIMINOSOS EM GERAL


A Primeira Invasão Alienígena no Brasil


De modo geral, a história dos nossos super-heróis teve um marco invisível e um marco zero mais claro – o surgimento do Carcará Vermelho e do Campeão Primeiro. E dos dois, o primeiro é o mais envolto em mistério. E aqui temos que falar um pouco do Carcará Vermelho: ele simplesmente era o príncipe-herdeiro de um trono alienígena, tomado por um usurpador que assassinou seus pais. O bebê foi levado pelo capitão da guarda real, que se passou por humano e o criou como suposto filho, vivendo muito pobremente – convenhamos, ele conseguiu aprender o português através de um tradutor eletrônico, mas isso não o ensinou a ler e escrever em nossa língua. Suas oportunidades foram muito poucas até que ele a duras penas conseguisse se alfabetizar em uma língua completamente alienígena – e até esse momento, tanto ele quanto o bebê tiveram uma existência extremamente difícil. O capitão da guarda teve que passar por trabalhos braçais e insalubres, em um processo concluído com sua ida para a cidade recém construída de Goiânia em busca de oportunidades de trabalho. Lá, já (mal) alfabetizado, ele conseguiu usar seu conhecimento de máquinas nos veículos primitivos terrestres, tornando-se assim um mecânico de carros e dando uma vida mais digna ao jovem herdeiro. No entanto, os anos difíceis marcaram o garoto e o tornaram muito suscetível à injustiças sociais.

Foi quando os alienígenas do Império Iwerten finalmente conseguiram localizá-lo, decidindo encobrir uma tentativa de assassinato sob o disfarce de um primeiro contato com os humanos (eles não tinham ideia do que esperar dos terráqueos, e por via das dúvidas criaram uma história formal para o caso de se depararem com alguma tecnologia superior). Eles acabam matando o velho capitão da guarda, que se sacrificou para salvar o jovem príncipe, mas antes conseguiu revelar a ele sobre seu passado. Assim, o príncipe teve acesso as asas flutuantes que caracterizam os nobres e militares de seu mundo – e alguma tecnologia à disposição. As testemunhas o chamaram rapidamente de Carcará Vermelho, e ele conseguiu explodir a nave de seus atacantes, dando finalmente a desculpa dos governantes de seu mundo natal para uma declaração formal de guerra. O resto foi simples: uma força de ataque realmente foi enviada, mas dentro das tropas, rixas e desconfianças se acentuaram; na Terra, o príncipe se infiltra na frota e incitou um levante entre os tripulantes. O levante vence, o príncipe insufla os brios de seus novos seguidores para uma campanha de reconquista e libertação de seu povo de um tirano, etc., e enfim, ele foi embora para nunca mais voltar. E não é difícil entender a pouca repercussão do evento: era a Goiânia de 1940 – uma cidade ainda recente (sua fundação foi em 1932), mal povoada (ela foi planejada para 50.000 pessoas e nem de longe ela chegava a tanto), com apenas meia dúzia de ruas asfaltadas. Não havia como, digamos, ele ser um vigilante naquela cidade: tão pouca coisa acontecia por lá que a própria história da invasão Iwerten – mal acompanhada por poucas pessoas, que jamais tiveram uma ideia clara do que havia contecido – ganhou um caráter vago de lenda urbana, tão confiável quanto uma história de pescador.


Outros Invasores do Espaço

Mas os Iwerten não foram os últimos a invadir a Terra através de nosso território. A República Armoric é um planeta democrático (acham que todos os mundos alienígenas invasores são monarquias?) extremamente belicista, cujos governos dependem de investimentos enormes em propaganda e do apoio de grandes corporações de comunicação para se manter no poder. Como eles cultivam o mito da própria invencibilidade para com seu povo, foi um trauma social imenso quando eles não conseguiram subjugar um pequeno planeta após décadas de combate. Por isso eles passaram a optar por um sistema prático: abduzir crianças de outros mundos para efetuar neles lavagens cerebrais e alterações físicas que lhes dariam imenso poder. Estes iniciariam a conquista de seus planetas-alvo, a serviço dos invasores, enfraqueceriam as defesas de seu mundo – e em determinado momento, se apresentariam como lideranças legítimas, convocando os Armorics "em nome da democracia", fazendo com que seus exércitos sejam vitoriosos contra exércitos debilitados. Perder uma guerra entre os Armorics pode custar a carreira política de um governante nas próximas eleições – por isso eles podem invadir um mundo com todas as forças.

O que os Armorics não contavam foi justamente com alguém ter se libertado de sua lavagem cerebral e se tornar o defensor de seu planeta. Para piorar a situação, ele não é o único ser superpoderoso de seu mundo: nos Estados Unidos, Rússia e Japão, há outros seres com poderes imensos (não foi a toa que a grande ameaça feita pelo Luz Negra contra os heróis do Brasil foi a intervenção de supers americanos em 1964, caso nossos heróis intervissem contra os militares); a chance de derrota novamente era grande e por isso mesmo, houve um esforço em afastar a Terra da memória do grande público (o que com a ajuda da mídia, tende a ser um trabalho fácil). Enquanto isso, eles mandaram títeres de outros mundos contra o Campeão Primeiro – e contra alguns dos principais supers de outros países – ao longo dos anos. E esperaram, monitorando atentamente a primeira invasão alienígena em larga escala ao solo Brasileiro... comandada pelo Império Iwerten.

O Retorno do Guerreiro Alado

O que aconteceu após a primeira e fracassada invasão Iwerten foi simples: o nosso Carcará Vermelho liderou uma guerra de retomada do trono que continua até hoje – e dividiu o Império Iwerten entre os mundos comandados pelo usurpador Thugar e os que seguem o príncipe-herdeiro Edgar (sim, ele manteve o nome terrestre). E esse conflito nunca acabou – o que fez com que os Iwerten jamais retornassem à Terra até então. Thugar já morreu, mas deixou herdeiros – e em algum momento, estes decidiram que o melhor modo de manter a dianteira contra os mundos tomados pelos seguidores de Edgar seria manter a expansão em novos planetas a ser conquistados. Voltar-se ao planeta do Herdeiro pareceu uma decisão natural: da última vez que estiveram por aqui, se depararam com um mundo primitivo que só não foi tomado por ter sido pivô da rebelião contra os Iwerten – logo, a conquista seria fácil; mas, pouco inteligentemente, eles não sondaram o terreno para essa nova invasão e não esperavam se deparar contra um mundo repleto de pessoas com superpoderes em menos de setenta anos.

O resultado: a volta dos Iwerten tornou-se o batismo de fogo para uma nova geração de heróis: os novos Luz Negra e Marcial, além de nomes novatos no palco como o Agente de Elite, Persona (um jovem vigilante psicologicamente instável que usa uma máscara de teatro, agindo contra o crime organizado na cidade de Vitória, no Espírito Santo), Urutu (um justiceiro particularmente brutal que luta contra grileiros, contrabandistas, coronéis que se valem de trabalho escravo e madeireiros ilegais no interior do país) e Samara (uma gênia da lâmpada, aprisionada durante séculos por uma família de libaneses que chegou ao Brasil nos anos 20). Foi uma luta contra o tempo: se os Heróis brasileiros não dessem conta do recado com velocidade suficiente, uma horda de supers americanos cruzaria nossas fronteiras sem autorização, passaria por cima de tudo, enfrentaria os alienígenas, apareceria na grande mídia e faria nossos heróis parecerem... inúteis. Quem garantiu esse feito foi justamente a chegada do Carcará Vermelho original e suas tropas, que mesmo idoso, mostrou-se em forma e com a fibra necessária para resolver o problema. Foi assim que sua história se tornou pública e, tardiamente, o nome do Carcará foi devidamente estabelecido como o primeiro super-herói Brasileiro. Mas ele não partiu sem deixar um legado: seu antigo traje foi entregue a um rapaz de identidade desconhecida que, sem poderes, quase morreu ao tentar salvar uma senhora idosa da morte nas mãos dos invasores Iwertenianos. Esse rapaz se tornaria o novo Carcará Vermelho.


O Povo do Fundo do Mar

Enquanto tudo isso acontecia, poucos se deram conta do que aconteceu no oceano – e novamente temos que voltar à fracassada invasão dos Iwerten nos anos 40: os destroços de naves e tecnologia foram recolhidos tanto por Nazistas quanto por Americanos infiltrados em nosso território. Essas tecnologias foram recolhidas e empregadas em testes de tecnologia avançada durante – e depois da guerra, já que muitos cérebros tecnológicos nazistas tanto foram contratados pelo Governo Americano quanto foram absorvidos pelos soviéticos à medida em que eles absorveram território. Tudo indica que o vazamento de radioatividade que deu origem à Seláquio, o Homem-Peixe, foi de um submarino espião americano baseado nessas tecnologias – e não da radiação comum dos submarinos nucleares da marinha desse país.


O Mundo do Crime

Apesar dos defensores dos super-heróis alegarem que parte da necessidade de sua existência seja proteger o mundo dos super-vilões, a grande verdade é que o surgimento de super-vilões de modo geral sempre é precedido pela existência de super-heróis. De modo geral, os primeiros heróis assumiram seu manto como uma reação ao crime comum com um conjunto de poder e impacto simbólico; os criminosos, após uma fase de inferioridade, reagem e se põem de igual para igual. Sempre foi assim, quer se queira, quer não. Invasores alienígenas não contam realmente; o que para nós parece um traje fantasiado, para eles não passa de um uniforme militar. Assim, o Fantasma Cinzento surgiu como um inimigo recorrente do Campeão Primeiro ao longo dos anos 50 e 60 – para desaparecer após o surgimento do regime militar. Da mesma forma, Luz Negra tinha como seu maior adversário talvez o mais poderoso vilão de seu tempo, Labirinto – um homem de poderes pouco explicados, mas capaz de acessar outras dimensões espaço-temporais e modificar a realidade a seu redor; consta que ele surgiu de uma linha de tempo destruída, tornando-se um homem que jamais existiu, e que precisava de oponentes e desafios para se manter empolgado.

Mas com o Golpe de 1964, a festa acabou – e sem heróis, não fazia sentido brincar de luta-livre com super-poderes. Com isso boa parte desses criminosos se voltou a crimes comuns e bem mais discretos, sabendo usar seus poderes e se dando muito bem na vida com isso na maior parte dos casos. Muitas pessoas que adquiriram grandes fortunas entre 1968 e 1981 eram na verdade supervilões de épocas anteriores, beneficiando-se da impunidade e escapando de maiores dores de cabeça. No entanto, uma vez que eles existiram, os efeitos culturais de sua existência começaram a deixar marcas: a partir dos anos 90, se ouviam histórias bizarras, como traficantes com espadas ninjas ou que faziam criações enormes de crocodilos – usados para se jogar seus oponentes. O surgimento das milícias tornou a coisa pior: a principal milícia do rio se chamava nada mais nada menos do que… Força Justiceira, liderada por um criminoso eternamente nas sombras, mas que atendia pelo codinome de… Morcego.

Com a volta definitiva dos super-heróis, os Vilões voltaram a se defender à altura. A Força Justiceira, inimiga mortal do Agente de Elite, passou a se valer de armas tecnologicamente mais avançadas e de assassinos com superpoderes. Labirinto retornou de algum ponto do continuum espaço temporal – mais velho e mais perigoso. No interior, assassinos já cobram mais caro para lidar com pessoas com superpoderes – e já há registro do mais perigoso grileiro já surgido… com uma armadura tecnológica.

Os heróis voltaram a um Brasil mais violento e perigoso. E por isso mesmo, eles precisam ser mais fortes – porque agora, seus inimigos não terão misericórdia.
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Mensagem 12 Dez 2013, 21:51

Re: Heróis da Nação

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LABIRINTO (Nome Desconhecido) – 115 pontos

F12 H7 R11 A9 PdF9

Aceleração, Área de Batalha (em termos de regras, lançar magias com metade do custo normal em PM), Ataque Especial (Amplo, Paralisante), Deflexão, Energia Extra 2, Genialidade (nada indica realmente isso, mas seus poderes já lidaram de forma análoga com tecnologia superior de forma similar), Imortal, Memória Expandida, 42 PMs Extras, Riqueza, Voo, Teleporte, Animar Objetos, Banco Dimensional, Campo de Força, Comunicação, Domínio Gravitacional, Domínio Magnético, Idiomas (Idioma Universal, Falar com Máquinas, Falar com Objetos), Ilusão, Movimento Temporal, Telecinésia, Má Fama, Insano: Mentiroso

Labirinto – cujo nome é absolutamente desconhecido (não há uma pista de quem ele realmente seja) é talvez o mais antigo vilão em atividade caso o que ele diga seja verdade. Sua história é fantástica demais para ser verdade – e pode muito bem ser que não seja; ele tem uma tendência à mitomania e gosta de espalhar informações contraditórias sobre si mesmo. Por outro lado, seus poderes são grandes demais para ser ignorados. Então vamos tomar o que ele diz sobre si mesmo como provável verdade: ele teria nascido em algum ponto dos anos 20 em Fordlândia, no estado do Pará; era filho de um casal de americanos que trabalharam a serviço da Ford Motors na região. Essencialmente, foi ele mesmo que, vindo do futuro, acabou gerando um campo que não apenas deu poderes a ele mesmo como estimulou o surgimento de super-seres em sua linha de tempo. Com esses poderes, ele acabou viajando para diversas épocas e gerando descendentes com várias mulheres, de diferentes partes do mundo – que se tornariam seus agentes. Também gerou uma fortuna: por viajar pelo tempo, sabia exatamente o que iria acontecer e não apenas saqueou tesouros como soube como convertê-los em dinheiro na hora e momento certos, se valendo da linhagem espalhada pelo tempo como gerenciadores desses recursos, a seu serviço. No entanto, ele começou a se incomodar com essa onipotência e passou a buscar desafios, enfrentando super-heróis tão ou mais poderosos do que ele. Até que em algum momento nessa linha de tempo artificial, agentes de uma estranha polícia do tempo conseguiram desfazer o acidente que lhe deu origem. Com isso, ele se tornou uma anomalia temporal viva.

Ao contrário do que possa parecer, isso o estimulou a vasculhar universos alternativos em busca de novos oponentes – e reconstruir sua fortuna, o que até foi fácil e lhe deu o que se ocupar. Até que ele encontrou uma nova casa dimensional – e o motivo era simples. Embora os heróis não fossem nem de longe os mesmos, o espírito do local lhe pareceu mais familiar, apesar de algumas diferenças (na sua dimensão extinta, a ditadura militar foi impedida pelos heróis brasileiros e havia uma grande megalópole chamada de Nova Guanabara no lugar da Cidade do Rio de Janeiro que conhecemos – isso entre outras coisas). Assim, ele agiu entre 1954 e 1964, enfrentando heróis clássicos como Luz Negra (seu maior rival) e Campeão Primeiro. Desapontado com o que julgou ser covardia dos heróis nacionais, ele simplesmente partiu – para retornar em outro ponto desta linha de tempo, quando encontrasse oponentes mais fortes novamente. Por isso, ele está de volta, e como os novos heróis parecem ser mais duros e perigosos, ele não se incomoda em responder com a mesma moeda. Ele está longe de agir como um vilão inofensivo de tempos mais ingênuos. Se ele tiver que matar a muitos para mostrar que fala sério, ele o fará. Por outro lado, seu controle do continuum espaço-temporal pode trazer essas pessoas a vida, caso ele realmente queira – e de quebra, suas aventuras amorosas ao longo do tempo e do espaço podem gerar – além dos agentes que cuidam de seus recursos – inusitadas pessoas com superpoderes espalhados em diferentes épocas, inclusive hoje em dia, sendo que elas nem precisam realmente saber disso; não custa lembrar que as energias geradas por seu surgimento, se ele estiver dizendo a verdade – se – geraram superseres dos mais diversos tipos em sua linha de tempo original…

A natureza dos poderes de Labirinto é enganadora. Ele não é super-forte (e na verdade, ele já está ficando claramente idoso) – mas pode alterar as leis da física aplicáveis a um objeto (podendo assim levantar um prédio sem que ele desabe sobre o próprio peso). Ele pode gerar bolsões dimensionais aonde cria campos de batalha surreais para seus inimigos. Na verdade, como a verdadeira extensão de seus poderes jamais foi determinada, ele é virtualmente onipotente. O que ele faz parece magia – mas com certeza não é. Labirinto não se importa em ignorar abertamente heróis menos poderosos, caso ele sinta que não representem ameaça. Ele busca sempre os mais fortes. Talvez busque uma morte gloriosa… algum dia. E quando isso acontecer, Labirinto não terá o menor pudor de levar muita gente junto, podem ter certeza.
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