ERA DE ARSENAL: Ato I - Paz Sufocada


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Mensagem 19 Jan 2018, 06:36

ERA DE ARSENAL: Ato I - Paz Sufocada

Prólogo

Do Diário de Aldred Castell Maedoc III

Quando o Reinado entrou em guerra contra Arsenal em 1406, ninguém poderia imaginar como aquilo significava o fim, de muitas formas possíveis. O sumo-sacerdote da guerra ousou enfrentar toda a união dos reinos, liderando um exército de sacerdotes de Keenn e mercenários, Arsenal avançou pilotando seu colosso de aço e magia, o Kishin. O próprio colosso Coridrian, criado para fazer frente ao guerreiro supremo e sua máquina de destruição fora destruído, os esforços do reinado superados e os heróis ávidos em impedir Mestre Arsenal derrotados. O Kishin enfim chegou a Valkaria e destruiu a estátua da deusa, como um gesto claro de poder e vitória. De Conquista.

O Rei-Imperador Thormy desaparece. Tapista marcha contra os reinos do oeste, mas encontram enorme resistência dos milhares de exércitos mobilizados em favor de Arsenal ou contra ele. O Império de Tauron não é consolidado, mas pode ser expandido, anexando Petrynia. Tapista agora é maior em fronteiras e se torna o único centro civilizado com unidade política.
O Reinado acabou. Os reinos centrais e do leste acabam entrando em conflito devido à forte influência bélica das Guerras de Arsenal (período que ficou conhecida à vitória do sumo-sacerdote de Keenn). A Tormenta deteve seu avanço e se mantém uma ameaça observadora, espreitando na escuridão. A Aliança Negra, com Thwor Ironfist à frente, conquista Tyrondir.

Deheon deixa de existir. Os duques e condes do reino se fecham em suas fortalezas e alguns se mesclam à Yuden, um dos únicos reinos que crescem e onde Arsenal pode ser visto. A Rainha de Yuden, Shivara, sofre um golpe de seus opositores fortalecidos pela influência de Arsenal. Por fim, o sumo-sacerdote da guerra se torna o Imperador de Yuden (tomando uma parte de Deheon, anexando Zakharov e Salistick). Valkaria ainda existe, mas é uma cidade metrópole em ruínas, onde o crime e a miséria prosperam. Os Lordes Urbanos se tornaram verdadeiros senhores feudais fechados em suas mansões-fortalezas sem uma preocupação real com o bem comum, apenas com sua manutenção do poder. O Protetorado do Reino é dissolvido com a morte de Arkham Braço Metálico e metade do grupo.

União Púrpura e Bielefeld entram em guerra total. A Ordem da Luz se torna um arremedo do que fora. Corrompida pelas atitudes bélicas de seus líderes, acabam se tornando uma instituição isolada, independente e que tenta buscar a glória do passado. União Púrpura desaparece, mas Portsmouth vê a oportunidade e ataca Bielefeld. Ambos os reinos acabam desaparecendo com as mortes de seus respectivos reis e boa parte de sua alta nobreza.

Nova Ghondriann, Callistia, Namalkah, Wynlla e Hongari sofrem com a invasão dos exércitos de Arsenal e deixam de serem reinos com unidade política (sem reis, onde apenas senhores feudais controlam suas terras com mãos de ferro). Sambúrdia foi o palco da batalha do Kishin contra o Coridrian. A capital foi destruída totalmente, então o reino deixou de ter sua unidade política também. Os fazendeiros, as vilas e aldeias espalhadas na imensa massa florestal ainda vão falar sobre Sambúrdia como um lugar, não mais como um reino.

Tendo em vista um mundo sem prosperidade e em crise, Pondsmânia simplesmente desaparece. A rainha fada usa um ritual intrincado para levar seu reino inteiro para um plano de existência oculto onde nenhum artoniano teria mais acesso (mas nativos de lá poderiam, de alguma forma, ir para Arton).

Trebuck, lar da família Sharpblade, colapsa com a morte de sua Rainha em Yuden. Um antigo opositor tenta um golpe para assumir o lugar, mas o povo – aguerrido e batalhador – não aceita. Trebuck se torna uma república com presidente e deputados a serem eleitos.

Sckharshantallas mantêm-se incólume. Dizem que Arsenal pensa em atacar Sckhar em alguns anos. Ahlen se dissolveu pelo próprio Arsenal que aniquilou a maior parte das famílias nobres e deixou o povo entrar em guerra civil para tomar o poder. Hoje Ahlen se tornou uma república corrupta onde o comércio de qualquer coisa é livre. A República de Ahlen se tornou um expoente – talvez o único – comercial em Arton.

Lomatubar, Tollon, Collen e Fortuna mantiveram suas unidades, mas os reis são apenas fantoches que Arsenal deixou viver. Em geral estes reinos estão em frangalhos depois da grande guerra dos exércitos de Arsenal contra Tapista e jamais se recuperaram. Vários anos se passaram e o mundo passou a se acostumar com o medo. O continente norte acentuou a escuridão por toda sua extensão com cada vez mais raros focos de luz em meio à selvageria da guerra.

No ano 1434 o mundo ainda precisa de aventureiros, mas cada vez mais eles são vistos mais como mercenários do que heróis. A Era do Heroísmo acabou, dando lugar a um mundo sombrio onde a sobrevivência é mais importante que tudo. E um dos melhores meios de se sobreviver é através da violência. Todos são potenciais inimigos, e alianças são cada vez mais raras e difíceis. Ainda há pontos de civilização, em Tapista do Norte e do Sul, em Kannilar (capital de Yuden), em certa medida na República de Ahlen, em Sckharshantallas e em Valkaria (tornada uma cidade-estado, ainda que decadente, sob o controle de um regente).

No Panteão houve enormes mudanças. Khalmyr foi derrotado por Keenn após a vitória de Arsenal. Tauron o desafiou, mas diferente do deus da justiça, conseguiu um “empate técnico”. Apesar disso, Keenn ainda tinha mais influência e poder e se consolidou como o Rei dos Deuses, o líder do Panteão.

Devotos de Marah são proibidos e quando encontrados, são caçados e mortos. Devotos de Lena são capturados, pois sem vida não há guerra. A maior igreja do mundo agora é de Keenn e embora outras religiões em geral sejam permitidas no território de Arsenal, são pressionadas cada vez mais.

Em 1434, Arsenal tornou-se um Imperador recluso e alcançou o posto de deus menor da Conquista, é um monarca divino sobre a terra e o mundo criado por ele é escuro e brutal. Cada vez mais ele assume o posto de um deus de batalhas estratégicas e isto pode significar uma cisão entre a Igreja da Conquista e o Culto a Keenn, cujo título de clérigo líder pertence à Kelandra Elmheart. O mundo está prestes a mudar novamente, é possível sentir no ar.
Editado pela última vez por John Lessard em 19 Abr 2018, 20:25, em um total de 1 vez.
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Mensagem 22 Jan 2018, 20:36

Re: ATO I - PAZ SUFOCADA

Capítulo 1 – Flechas Rebeldes

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O céu é cinzento, encoberto por nuvens pesadas, que soltam uma fina e espaçada chuva. Um leve lembrete de que uma tempestade se aproxima, cedo ou tarde. O cenário natural é quase um reflexo de como o mundo é agora, com pouca luz, amargo e com um toque de crueldade crua, avisando que tudo se tornará pior em breve... Como se já não fosse ruim o suficiente.

Villent já fora uma cidade muito famosa de Deheon, um centro civilizado de grande porte, famosa por sua mineração, desde ouro até pedras preciosas. Esta cidade, além de contar com tudo que um aglomerado urbano de seu porte tem direito, como um bazar, tavernas, ferreiros e afins, era famosa também por abrigar belas mansões, lares de nobres que enriqueceram com o minério das minas. Hoje, entretanto, não há mais espaço para isto. Quem detém o poder e as riquezas, é quem detém a violência.

Outrora, a família mais poderosa e famosa de Villent eram os Goldenheart, anões, vindos de uma antiga linhagem de mineradores, porém o mundo mudou. Quando Arsenal destruiu a estátua de Valkaria em 1406, as regras se tornaram outras, o mundo passou então a se encher de senhores de guerra e feudais. Outro anão, antes um chefe do crime em Villent, tomou o poder da cidade para si através da nua e crua violência. Cutelo, seu nome. O anão, um ser agressivo e sem escrúpulos, possui este nome ao perder sua mão esquerda anos atrás num confronto contra aventureiros e colocar um cutelo no lugar onde costumava ficar o membro. Segundo um boato, o membro fora decepado por uma espécie de sacerdote com uma espada de luz, porém o anão odeia esta história, e já mandou matar algumas pessoas por tocarem no assunto em sua presença.

Hoje, entretanto, é um dia especial na cidade Villent, porém, especial não significa necessariamente que seja algo bom, dependendo do ponto de vista. Como todos sabem, clérigos de Marah, a Deusa da Paz, são extremamente proibidos, mais que isso, caçados, mortos, humilhados... Festivais de Expurgo, como o que acontece hoje, são bastante comuns em cidades de Yuden. Esses festivais, além de contarem com a presença de clérigos de Keenn e da Conquista, servem para a execução de devotos de Marah em público. Este tipo de evento é anual em cada local e se tornam cada vez mais raros, conforme os sacerdotes da paz se escondem e são extintos com o passar dos anos.

É impressionante como há uma mórbida criatividade em como serão executados em cada lugar. Os boatos dizem que Cutelo se sente particularmente orgulhoso da forma que inventou para matar clérigos da paz nos Festivais que planeja. Os sacerdotes são jogados em uma arena circular e forçados a lutarem com ladrões, assassinos e estupradores até a morte. O vencedor, ganha a liberdade, porém não há vitórias para os clérigos capturados aqui. Caso lutem e vençam, são abandonados por sua deusa. Caso larguem às armas e fiquem firmes em sua fé, são mortos de maneira brutal. Clérigos de Keenn se encarregam de enviarem as almas diretas para Werra.

Clérigos de Keenn e da Conquista, por sua vez são membros honrados neste tipo de festival, podendo assistir tudo de maneira privilegiada. Há, entretanto, outras figuras que seriam ainda mais respeitadas e privilegiadas, os chamados Inquisidores. Ao todo, existem 7 no mundo inteiro e são, basicamente, os guerreiros de elite do Imperador-Deus, temidos e respeitados em cada canto do mundo conhecido. Cutelo espalha aos quatro ventos que conhece e é amigo de um, porém para o alívio de muitos, não há nenhum deles aqui. Inquisidores carregam um ar de mistério e poder, uma aura estranha... Combatentes ímpares, são praticamente lendas.


Cecília não se lembrava ao certo o dia exato em que deixara Valkaria para trás e junto dela, seus amigos, seus pais... Tudo que conhecia desde a infância. Viajando pelo mundo agora ela percebia que Arton sangrava. Nunca conhecera como era a realidade antes, apenas através das histórias de seus pais e avós, mas o que conseguia distinguir era um mundo oprimido, cinzento, como se vivesse constantemente em guerra... E como ela sabia, vivia. Não demorou também para que a jovem percebesse que não era especial, o mundo estava repleto de mercenários, espadachins usuários de magia também, logo ela não era única. Constatou que se quisesse alcançar algum status, precisaria galgar os degraus do mundo e superar quais fossem os desafios. Não havia mais espaços para heróis e se por acaso alguém tomasse para si este título, era no mínimo um tolo.

A moça de sangue dracônico-divino chegou a Villent ouvindo os rumores do início de um Festival de Expurgo. Ela mesma nunca havia visto nenhum, apenas escutado os rumores e talvez fosse... Necessário assistir a um. Teve uma pequena amostra da crueldade do mundo ao viajar até aqui em busca de trabalho. Pessoas sendo humilhadas e espancadas, até um homem tentou atacá-la... A moça, entretanto, decepou três dedos de sua mão, deixando o plebeu morrer sangrando como um porco na lama. Ela sabia, apesar de tudo, que a realidade era ainda pior e precisava se acostumar com isso.


Angra vinha de um pequeno condado que um dia pertencera ao reino de Trebuck. O local era um último foco de alguma bondade no mundo, embora fosse atacado por todos os lados por senhores da guerra. Governados por Almira Sharpblade, uma dos últimos integrantes da família da falecida e traída Rainha-Imperatriz, era uma clériga ferrenha de Thyatis e que governava sob ataque de todos os lados.

A escudeira havia partido há alguns dias em busca de seu mestre, Sir Rodrick, que havia saído em uma viagem misteriosa e desaparecido. Chegara a Villent sabendo apenas a direção que ele havia tomado ao deixar o condado. E não poderia ter chegado em uma hora mais horrível. Não havia Festivais de Expurgo de onde vinha, afinal era um local temente a Thyatis e embora não fosse proibido o culto, a pressão ao longo dos anos com outras religiões – com exceções de Marah e Lena, que eram perseguidas abertamente – pareciam querer acabar com eles aos poucos.

Era a primeira vez desde o encontro com o Lanceiro Negro e o roubo de sua filha que a moça de cabelos vermelhos via o mundo novamente. Em procura de seu mestre, acabou encontrando o primeiro horror do mundo governado por Arsenal.


Oportunidades de melhorar suas habilidades era o que Aedan buscava, mas isto não era seu objetivo final, apenas o caminho que trilhava para alcançar o que queria. Ele também tentava fugir da violência, mas ela parecia estar em todos os lugares, logo sua fuga parecia inútil. Chegou a Villent não muito tempo atrás, seguindo uma estrada que entrecortava um mundo feio e amargo. Villent guardava um ar de problemas, ele podia sentir, talvez um ninho de figuras parecidas ou iguais ao nobre que o capturou pouco tempo antes... Talvez piores. Pelo que soube Cutelo, aquele que chefiava tudo por ali, não era nenhum nobre, tinha vindo do crime e subiu ao poder com chantagem, assassinato e extorsão, não tardou para descobrir o que movimentava tantas pessoas naquele dia.

Já ouvira falar do Festival do Expurgo, mas nunca vira um de fato. Certa vez, passara por uma cidade onde os clérigos eram jogados num poço repletos de cobras venenosas. Não estava lá para ver. Agora, entretanto, ele estava diante de um desses eventos nefastos.


Jackson Krowley nunca estivera tão perdido em toda sua vida. Depois que deixara Malpetrim, se viu perseguido por uma patrulha de Tapista do Sul, o que acabou o forçando a deixar o reino ficando ainda mais longe de casa, onde quer que ela fosse. Seguiu as margens dos reinos quebrados e evitando os problemas que eles poderiam lhe trazer, no frio das Montanhas Uivantes, fugindo de lobos, ursos e humanoides peludos e brancos que mais tarde descobriria serem hobgoblins do gelo.

Finalmente deixou o ambiente frio e entrou no Império de Yuden, o território do Deus-Imperador. Era cada vez mais difícil avançar evitando patrulhas e clérigos e a verdade era que não fazia ideia de como retornar para Malpetrim. Com o tempo, percebeu que precisava encontrar algum centro de civilização, pedir informações, comprar suprimentos para a viagem que precisasse fazer, caso obtive sucesso. Não restava muito dinheiro agora, mas ele precisava tentar. A que parecia a cidade era governada por uma anão. Aqui longe das terras onde um dia foram a Yuden original e um dia pertencera a Deheon, o ódio daquele povo por não humanos parecia não existir.


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A Praça de Villent era uma área circular, de chão de paralelepípedos. No centro, uma fonte de água, agora seca. O local era rodeado pelo comércio, ferreiros, alfaiates, padeiros, assim como vendedores ambulantes, com suas barracas improvisadas. As pessoas se amontoavam, os mais rápidos conseguiam lugares nos bancos de madeira elevados. Na frente do templo de Keenn e da capela da Conquista, uma arena fora montada, cercada por uma estrutura de madeira, forrada com areia áspera. Num palanque mais elevado, estavam dois clérigos. Um deles ostenta um machado de batalha na cintura, uma armadura pesada, sob uma túnica com o símbolo de Keenn, ao seu lado outro, este com um martelo de guerra e ostentando outro símbolo, um martelo sobre um quadro tridimensional, obviamente um clérigo da Conquista. Eles aguardavam, pacientes.

O anfitrião, Cutelo, não esta junto deles. Todos sabem que ele chegaria depois, junto da segunda leva de prisioneiros, como dita a tradição. Logo é possível ouvir o som das rodas de madeira das carroças se aproximando, contra as pedras do solo. Devagar e angustiantes. De uma esquina, a primeira se faz visível, puxada por bois, conduzida por um homem comum de olhar sádico. Sobre ela, uma jaula, trazidos feito animais, humanos, rasgados, espancados, magros, chorosos e sujos.

O povo então começou a vaiar e a xingar coisas grotescas, humilhantes. Frutas e legumes podres foram atirados, gestos obscenos efetuados. Aquela gente vivia a mercê da violência todo dia, por muito tempo, mas isto não os impedia de atacar outros, em uma situação pior que a deles. O sofrimento dos outros os divertia, afinal os faziam esquecer o próprio. Era real, o mundo os transformara em monstros... Não, apenas revelara o que sempre esteve lá na maioria das pessoas. Maioria, não todos, isto se você ainda tivesse esperança.

Havia seis homens armados com espadas e bestas ao redor da arena. Um deles, corpulento, quase sem pescoço abriu a jaula quando ela parou e puxou uma mulher de lá de dentro. Estava suja, vestindo trapos que um dia foi branco e não rasgados. Ele a empurrou em direção à turba, ordenando que seguisse em direção à arena.

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Os cabelos castanhos da mulher estavam desgrenhados, seu rosto sujo, um dos olhos totalmente fechado pelo inchaço de uma pancada. Ela seguiu descalça. Pessoas a empurravam, chutavam, esmurravam e rasgavam sua roupa. Ela finalmente alcançou a entrada da arena. Outro guarda a segurou, ela levantando as vestes rasgadas, tentando cobrir os seios, tinha a cabeça baixa. O guarda colocou um porrete em sua mão e a empurrou na arena.

Do outro lado um homem entrou, era pequeno, encolhido, de cabelos grisalhos e bigode fino da mesma tonalidade, parecia um rato. Vestia calças curtas e marrons, camisa de linho rasgado e um colete preto. Ele também carregava um porrete uma das mãos. Era um criminoso, sem dúvidas.

Do alto do palanque um homem tomou a frente. Era o clérigo de Keenn. Ele tinha os ombros largos, o rosto anguloso e quadrado. Os cabelos eram de um loiro pálido, cortados curtos ao estilo militar.

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- E aqui estamos – disse com uma voz firme – a mais uma abertura de outro Festival do Expurgo. Como dita a tradição, temos nosso primeiro animal dentro da arena – disse do alto.

A clériga o encarou, depois olhou para o porrete que deram em sua mão e o jogo no chão. O clérigo no palanque sorriu e abriu os braços.

- Que comecem então!

Os gritos inundaram a praça. O homem que parecia um rato avançou, girou sua arma e acertou a têmpora da mulher, explodindo em sangue. Ela caiu de joelhos e ele a bateu de novo, dessa vez acertando seu ombro. A mulher arqueou o corpo, mas abaixou seus braços e ele bateu mais uma vez contra seu braço. O porrete quebrou e ele o largou, agarrando os cabelos castanhos com uma das mãos e socando o rosto da clériga uma, duas, três vezes. Ela deixou o sangue escorrer dos lábios, um dente caiu após isso. O homem ergueu seu braço, de novo, todos ali sabiam que ele a espancaria até a morte, e ela, bem, não revidaria.

Dados dos Personagens

Cecília: <> PVs: 10/10; PMs: 7/7; PEs: 0/0; PAs: 1; CA: 12/12 <> Condição:
Aedan Runargo: <> PVs:17/17; PMs: 0/0; PEs: 0/0; PAs: 1; CA: 17/17 <> Condição:
Jackson Krowley: <> PVs: 22/22; PMs: 0/0; PEs: 0/0; PAs: 1; CA: 16/16 <> Condição:
Angra: <> PVs: 22/22; PMs: 0/0; PEs: 0/0; PAs: 1; CA: 17/17 <> Condição:
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Registrado em: 04 Jan 2014, 18:42

Mensagem 23 Jan 2018, 10:25

Re: ATO I - PAZ SUFOCADA

A vida não estava nada fácil desde que havia sido sequestrado, não sabia o que era pior, estar na mãos dos Mcmullard ou ter que fugir das tropas que vigiavam as estradas, apenas pelo fato de não ser humano. A viagem desde Malpetrim até Villent não havia sido fácil, Jackson estava surpreso por ter sobrevivido aquele tempo todo sozinho numa terra que ele não conhecia. Chegar em Villent foi ate um alivio, ali o preconceito com os não humanos era praticamente inexistente, conseguiria um pouco de descanso e quem sabe começar sua busca por Smokestone, os vendedores de armas seriam as primeiras pessoas que ele iria visitar. Mas aparentemente a cidade estava em festa, algum tipo de festejo estava acontecendo, Jackson sabia pouco daquela terra, então decidiu seguir para a arena para ver do que se tratava, e logo se arrependeu, aquilo não era uma luta, era um massacre de um indefeso, então se virando para a pessoa mais próxima, vai perguntar:

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O que aquela mulher fez para sofrer essa punição?
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Registrado em: 22 Jan 2017, 02:15

Mensagem 23 Jan 2018, 10:56

Re: ATO I - PAZ SUFOCADA

Angra Cabelos de Fogo
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*Hoje seu olho doía novamente. Bem no lugar em que a lança atravessara uma vez. Lembrava bem da sensação. Aguda, continua e finita. Mesmo depois que fora revivida pela chama de Thyatis, evocada por Sir Rodrick e mesmo depois que seu olho fora completamente curado, volta e meia, ainda era visitada pela lembrança dolorosa. Geralmente - ou pelo menos acreditava - era um mau presságio. Talvez um vestígio do dom da profecias de Thyatis, que lhe avisava de que algo ruim estava para acontecer*

*Aconteceu quando seu mestre desapareceu. E agora acontecia novamente, quando chegara a cidade. Mas não tinha tempo para o medo. No condado de Redfeather, era apenas uma pajem. Desdenhada pela sua idade tardia. Constantemente vitima de assédios, morais, verbais e tentativas dos físicos. Tudo acontecendo nas encolhas. Mas não reclamaria, não denunciaria. Precisava se defender. Mas ele sabia, não é? Ela tinha certeza. Sir Rodrick sabia de tudo e não interferia. Não por omissão, mas por respeitar a determinação de Angra. Por entendê-la, mais do que qualquer um.*

*Por escolheu segui-lo. Por ele possuir a força que lhe faltava. A força para recuperar sua filha. E derrotar aquele homem. O lanceiro Negro. O maldito! Passaram-se alguns anos e conseguira tornar-se uma devota de Thyatis. "A chama que oferecia a segunda chance". Pois como sua avó dizia: "Há fogo dentro de você menina, tão forte, que não pode ser contido e agora queima em seus cabelos". Sim, era o deus para ela. E juraria ser sua devota, até o dia que alcançasse seu objetivo. Jamais mataria qualquer ser inteligente... Pois o único sangue que derramaria, era o de seu inimigo. Tudo se resumia a isso. O treinamento com espada escudo. O músculos que ganhou ao caminhar diariamente com armadura pesada. As humilhações. A dor do treinamento. A sua posição na corte de Redfeather. Tudo! Tudo para vencer.*

*Esse fora seu juramento. Seu voto. A chama de sua própria determinação. Algo do qual ela entendia muito bem. E por isso... E somente por isso, voltou a embainhar a espada, diante da cena cruel que via. Havia mordido tão forte o lábio, que agora ele sangrava. Apertava tanto os punhos sob a manopla, que os nós ardiam, como se a pele fosse rasgar. Esse era o mundo atual? Preconceituoso, cruel e sangrento. Um mundo onde homens como o Lanceiro Negro, dizimavam vilarejos inteiros e saiam impunes. Violência era a resposta... E única. Eles mereciam violência.*

*Mas*

*A lembrança do pequeno gesto da devota, a segurara no lugar. Mesmo depois de humilhada e ferida... Largara a clava no chão. Golpeada e alquebrada, se mantinha imóvel. Mantinha-a-própria-fé. E o senso comum, ignóbil e alienado, a rotularia como covarde, fraca e patética. Mas Angra reconhecia ali... Era a pessoa mais forte no lugar. Sem armas, sem magia. Era poderosa. E mais... Era uma vencedora.


- EU A RECONHEÇO, SERVA DE MARAH!! EU CONSIGO VER!!!

*E antes que percebesse, gritou. Não iria interferir. Não sacaria sua espada. Não a protegeria com seu escudo. Pois aquela fora sua escolha. Aquela era sua luta. Ela não desejava violência, nem feita por ela. Não desejava sangue. Não desejava a resposta de Keenn. Não. Angra via isso e respeitava, emocionada. Uma poderosa devota.

- A SUA VITÓRIA!!!!!

*E gritou. Sem dizer mais nada. Demonstrava em seu olhar, em seu corpo e em seu sorriso, que mesmo que todas ali se enojassem dela e focassem sua frustração nela, havia UMA pessoa que reconhecia seu valor. Sua força e sua escolha. Alguém que a respeitava. E acima de tudo: *

*Alguém que entendia, como mesmo naquela pequena batalha, Marah derrotara Keenn, no momento em que a paz era escolhida, quando a única opção que restava era a batalha.*

*E não devia haver castigo mais frustrante que aquele, para seus executores*


- ...

*Sem dizer mais nada, continuou a encarando, dando-lhe um sorriso gentil. Ficaria com ela... Até o seu fim.
Tribo Scarlata

- Crônicas da Tormenta (on): Rakim Barba de Fogo
- Guilda dos aventureiros de Valkaria (on):Jin Hong
- Theotanatus(on): Rei Caído
- Aurora Carmesin(on): Scarlata Jihad / Jihad da areia vermelha
- Era de Arsenal(on): Angra Cabelos de Fogo

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Registrado em: 09 Set 2016, 17:51

Mensagem 23 Jan 2018, 13:11

Re: ATO I - PAZ SUFOCADA

Jay queria conquistar um lugar ao sol, o problema era que não havia muito sol naqueles dias. Depois de atracar em um vilarejo qualquer em uma região de nome desinteressante, o jovem moreau só pensava em comer. Cansado de comer peixes, roubou coisas diferentes para logo descobrir que a lei era implacável com ladrões. Viu outro ser culpado por suas pequenas pungas e engoliu seco ao vê-lo sofrer humilhantemente.

Ao abandonar aquele lugarejo, Jay viajou para o norte. Sempre norte, sempre "pra frente", achando que suas botas desgastadas lhe dariam alguma vivência. Mas não encontrou nada de muito diferente. As pessoas eram horríveis, brutais. Quem não seguisse esses preceitos selvagens logo estaria em maus lençóis. "Seja a bota que esmaga, senão será o esmagado". O mundo que conhecera na pequena Collen não era tão diferente, embora mil vezes mais pacato e proporcionalmente menor. Jay não gostava nada do que via, era tudo muito... mundano e sujo.

E ele estava cansado disso! Saiu do conforto de sua gangue, da comodidade de assaltar incautos ignorantes na estrada para ver coisas grandiosas, para encontrar pessoas importantes, impressionar-se com as belezas do mundo... mas o que encontrou foi apenas medo e sujeira. Havia um manda-chuva do mundo, o tal de Arsenal, o Deus-Imperador, alguém lendário. Mas as demais lendas não passavam de boatos imprecisos. Sabia que houvera uma era dos heróis, um tempo em que as pessoas lutavam pelos outros, brigavam para proteger os indefesos, um período feliz para o povo comum.

E agora este tempo já não existia mais. Jay não se importava com mais ninguém, mas era mais difícil viver num mundo de iguais do que na era dos heróis... podia ter sido o mais esperto, o mais astuto daquele tempo nas custas de outros heróis, mas agora o padrão do comportamento era aquele: bata primeiro e pergunte depois, se a boca ainda tiver condições de uso.

Suas andanças o levaram até Villent, outrora uma enorme cidade e agora uma ruína mal feita. Velha, tomada de musgos e lama. Jay vestia um sobretudo negro cobrindo o corpo, mas justo, ressaltando sua forma magra e esguia. Uma bandana cor ocre era o suficiente para esconder suas orelhas de moreau e um tapa-olho ocultava sua origem. Perambulando pela cidade tentando encontrar algo que captasse sua atenção, viu um ajuntamento de pessoas para ver o que seria um Expurgo. Ele já ouvira falar do tal ritual das igrejas irmãs que controlavam o mundo, mas nunca tinha visto um.

Olhou ao longe uma mulher com roupa puída enfrentando um homem cruel. "Enfrentando" não, ela estava decidida a morrer. Jay não compreendia e no meio daqueles xingamentos e gritos exultantes do povo, uma voz sobressaiu alto. Uma mulher vestindo aço e de cabelos de fogo gritava felicitando a outra que estava prestes a morrer espancada. Jay ficou boquiaberto com a cena, se aproximando calmamente entre as pessoas, mas tentando não se destacar e nem ser visto por ninguém. Observou melhor aquela mulher que destoava do povo sedento de sangue. Na verdade ela também parecia satisfeita pela violência e o massacre, mas ao invés de humilhar a espancada, exaltava seu espancamento. Aquilo era, de longe, a coisa mais curiosa que vira desde Collen.
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Localização: Lamnor

Mensagem 23 Jan 2018, 13:48

Ato I - Paz Sufocada - Aedan Runargo

Aedan

"Malditos ignorantes!"

Aedan cerra os punhos quando os gritos da multidão preenchem a praça sombria com um desejo de sangue e morte que ele esperava nunca mais sentir, depois de abandonar uma vida de morte e violência, na fronteira com Tyrondir. Ao seu redor, homens, mulheres, e até mesmo crianças, gritam com um prazer deturpado quando as primeiras carroças surgem no outro lado da praça, trazendo as vítimas do hediondo ritual de sacrifício que chamam de lei.

"Foi para defender 'isso' que eu arrisquei minha vida lutando contra a Aliança Negra?", pensou, o coração queimando com uma raiva fria que ficava mais difícil de suportar a cada segundo. "Os malditos nem mesmo percebem que esse espetáculo honra apenas a morte..."

Aedan ergue o rosto para o céu cinzento, para afastar os olhos da multidão ensandecida, sentindo o chuva fina lavar seu rosto cansado, marcado pelos longos dia de viagem pelo ermo... Não! Marcado pelos anos de trabalho caçando os desertores, estupradores e assassinos que manchavam as terras na fronteira da guerra, seguindo as leis da guerra em nome da paz do reino.

Os gritos da multidão se tornam ensurdecedores quando as primeiras carroças são abertas, revelando as formas frágeis e impassíveis dos devotos da paz, homens e mulheres condenados à morte pelo simples fato de representarem tudo que ele jurou defender. Uma sensação estranha toma conta de seu corpo quando a primeira vítima é arrastada para o centro da arena, onde um homem brutal sorri para a multidão sedenta por sangue, um desconforto tão forte que faz seus músculos tensionarem e sua respiração ficar presa em um grito de desprezo pelo próprio medo.

- Eu a reconheço, Serva de Marah! - grita uma mulher, em algum lugar da praça sombria, uma voz sufocada que não atrai a atenção da multidão, mas que soa clara como uma trompa de guerra para o rastreador. - Eu consigo ver!

O grito faz com que Aedan desperte do sentimento de revolta e impotência, fazendo com que olhe para a mulher na arena como se a visse pela primeira vez. Apesar de tudo pelo que está passando, seus últimos instantes de vida, a mulher não luta, apenas suporta as investidas de seu algoz com uma força de vontade que Aedan nunca viu antes. Não importa o que aconteça, aquela mulher vai morrer com a fé em sua deusa inabalada.

Aedan se afasta da multidão, seguindo para um beco escuro, no limite da praça, de onde pode ver o espetáculo bizarro sem ser visto. No centro da praça, a mulher sofre seus momentos finais nas mãos de seu carrasco, que ergue os braços para a multidão exultante, que ordena o golpe final, mas tudo que o rastreador vê são os olhos serenos da mulher...

Aedan saca uma flecha da aljava e dispara na direção do centro da arena.

Vou disparar uma flecha no centro da arena, para matar a mulher antes do golpe final. Minha esperança é que seja um momento dramático, mas o que preciso fazer para conseguir? Estou disposto a gastar Pontos de Ação para isso.
Mas Aedan não vai esperar para ver o resultado da flecha. Depois de disparar, ele vai se afastar, fugindo pelo beco escuro.
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Mensagem 24 Jan 2018, 00:52

Re: ATO I - PAZ SUFOCADA

Cecília sorria serena com suas amigas enquanto andavam por uma ruela de lojas caras. Suas vitrines mostravam manequins vestidos de roupas, chapéus, luvas, colares, sapatos, sandálias caras. Outras lojas exalavam um cheiro doce de guloseimas feitas pelos mais requintados cozinheiros de Valkaria. A cidade uma vez fora a joia do mundo, o berço da civilização artoniana, segundo constava nos livros de história. Mas Cecília tinha pouco apreço por isso, para o dessabor dos pais.

Para Cecília Valkaria sempre foi um lugar seguro, e pacífico, com muitas histórias de como o mundo lá fora era perigoso. Alheia a tudo isso, mas com uma grande inquietação queimando em seu peito, Cecília queria ser uma aventureira como seus pais foram por alguns anos. Fenyra, uma monja, herdeira de uma arte marcial esquecida e extinta. Aldred, um espadachim com sangue de dragão, provavelmente um dos homens mais poderosos de Arton atualmente. Ambos tiveram seu tempo e agora estavam cansados, frustrados por seus esforços heroicos não conseguirem mudar o mundo. E eles não encorajavam-na a seguir seus passos.
Fenyra
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Não se formam mais grupos de aventureiros como antigamente.

Aldred
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Vivemos a Era dos Mercenários. São os tempos de Arsenal.

Diziam conformados e isso irritava bastante a menina. Cecília tinha apenas dezesseis anos quando saiu de Valkaria e agora estava sozinha, longe das amigas, dos pais e de tudo que conhecia. Estava na verdadeira Arton.

Ela acordou depois de sentir um frio indizível. Seu saco de dormir pouco fazia para bloquear os ventos uivantes do oeste que dobravam as colinas ali próxima. Na verdade, ela sentia frio porque não soubera encontrar um esconderijo melhor para passar a noite. Pelo menos, com o frio, os mosquitos eram poucos... mas ela era destemida, não desistiria tão fácil. Afinal, ela era a herdeira dos Maedoc, aquela que tem o sangue de dragão e a alma da mítica fundadora de sua família ancestral, a Rainha Eterna.
Cecília
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Mas bem que eu podia ser imune ao frio...

Disse desistindo de dormir. Encolheu-se sentada numa alcova rochosa com os joelhos no queixo e os braços abraçando as canelas. Pelo menos parou de tremer. Ficou assim até pegar no sono e ser acordada pelo "cocoricós" das galinhas. Cecília juntou suas coisas e subiu no enorme pedregulho incrustado na pradaria para olhar o horizonte. Colinas ao oeste, floresta ao norte, descampado ao leste. O céu tinha muitas nuvens, não era convidativo e...
Cecília
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Espera! Se tem galinhas por perto, deve ter uma fazenda!

E correu na direção de onde achava ter ouvido o animal. Pensava que naquele dia poderia almoçar algo diferente de pão, carne seca e queijo de sua ração de viagem. Aliás, como seus pais aguentaram tanto tempo comer aquilo? Será que no tempo deles havia mais variedade?

Cecília correu feliz até encontrar algumas galinhas andando em volta de um galinheiro, num espaço cercado com arame farpado. Havia um casebre não muito perto, mas estava tomado por mato. A madeira das paredes da casa estavam há muito velhos e quebradiços de modo que era difícil pensar que havia gente morando ali. Cecília, que não era boba nem nada, conjurou suas magias de proteção. Sabia que o mundo era um lugar perigoso e por isso não podia dar mole.

Entrou na casa ostentando o cabo de sua katana enquanto olhava os arredores. O lugar parecia mesmo abandonado, com poucos móveis e todos eles muito velhos ou quebrados. O cheiro não era um dos melhores também. Foi quando viu sentado em uma poltrona carcomida um velho. Estava cinza. Havia morrido não há muito tempo. Cecília fez um muxoxo e pensou que poderia pegar pelo menos uma galinha para ela, mas não sabia depená-la ou cozinhar. Podia roubar um ovo, talvez... com sua magia conseguia fazer uma fogueira decente para fritá-lo.

Ouviu passos e logo todas as magias de luta dela estavam conjuradas rapidamente. Ficou atrás da porta e ouviu um diálogo ruim. Eram os filhos, que começavam a discutir mais asperamente pelo domínio daquelas terras agora que o pai havia morrido. Aparentemente esperaram o velho morrer para tomar-lhes a terra... Súbito, um grito. Cecília não via, escondida atrás de uma parede, mas sabia que um dos irmãos havia matado o outro. A jovem esperou o silêncio tomar conta ... e saiu da casa.

Cecília estava um pouco triste, após um exercício de empatia, não conseguiu entender as ações dos dois. Jamais faria aquilo com seus pais. E se tivesse um irmão, não o mataria por isso. Apesar de saber como o mundo funcionava, ver o acontecido dava uma nova perspectiva. Embruteceu-se e seguiu o caminho da floresta. Que nunca chegou.

Entrecortada por colinas não visíveis de onde estava anteriormente, Cecília viu uma bela cidade despontar antes da floresta. Era Villent, se o seu senso de direção estava correto. Cecília correu pra lá feliz de ver uma cidade, embora soubesse que somente Valkaria lhe daria o que queria mesmo.
Cecília
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Não, vamos lá, nada de coisas confortáveis. Urr.

Disse a si mesmo quando entrou na cidade. Não demorou muito caminhando por ali para já detestar o lugar. Feio, pobre e com pessoas mau encaradas. Ali era território clássico dos servos da guerra e da conquista. E havia um ajuntamento de pessoas... linchavam alguém? Cecília se aproximou passando pelas pessoas, tendo que dar um empurrão aqui e acolá para conseguir ver alguma coisa. Ela não era muito alta, por isso não podia ver muito estando longe.

A realidade era pior do que imaginava. Via um palco, via uma mulher apanhando sob os auspícios de um clérigo da guerra. As vestes e a dedicação da mulher em se deixar morrer não podia ser outra coisa: era uma clériga de Marah. Cecília engoliu seco ao ver tamanha crueldade, mas súbito ouviu uma outra mulher gritar em favor da clériga. Uma mulher ruiva brindava a clériga que mantinha seus preceitos mesmo diante da morte. Cecília passou a vê-la com respeito. Afinal, ser crente de um culto proibido exigia coragem dos mais bravos guerreiros. E era um preceito que abominava a violência!

Cecília foi se aproximando da ruiva, pois queria falar com ela sobre aquilo. Ouviu um homem muito feio com presas saindo da boca indagar o que a clériga tinha feito para sofrer aquela punição. Cecília não conseguiu ficar calada:
Cecília
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Manteve-se íntegra com sua fé em Marah, uma deusa proibida.

Disse antes de se aproximar da ruiva. Entretanto, antes de falar qualquer coisa para ela, uma flecha voou na direção da clériga. Cecília soltou um suspiro surpresa.
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Mensagem 24 Jan 2018, 11:30

Re: ATO I - PAZ SUFOCADA

A resposta vai vir rápida, para a surpresa de Jackson, não esperava que alguem tivesse prestado atenção nele, tamanho era a bagunça naquele lugar, Jackson vai olhar novamente para a mulher, ela estava sendo espancada por se manter fiel a sua fé, era uma mulher honrada no final das contas, não merecia aquele destino cruel, Jackson então vai responder a moça que lhe respondeu:

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Ela é uma mulher de honra então, é de onde venho isso e importante. Eu que não vou ficar parado vendo essa barbárie.


Empurrando todo mundo no caminho, Jackson vai andar até o muro, que não é la muito grande, ele vai pular para dentro da arena, mirando seriamente o bandido que espancava a clériga.

OFF: Jackson vai andar até a grade, empurrando todos no caminho (Teste de Força 16), após isso vai pular o muro, entrando na arena.
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Registrado em: 10 Dez 2013, 11:03

Mensagem 24 Jan 2018, 23:56

Re: ATO I - PAZ SUFOCADA

Capítulo 1 - Flechas Rebeldes

Jackson conhecia a violência de muitas formas, porém nunca daquela maneira. Num primeiro momento ele não parecia acreditar, depois virou-se, perguntando incrédulo para alguém o que acontecia. Uma moça ao seu lado, no mínimo uma cabeça e meia mais baixa lhe revelou a verdade. Sentindo um senso de dever, o meio-orc a deixou deixou para trás, empurrando as pessoas que assistiam para os lados, saltando por fim para dentro da arena. Não viu a seta voando pelo ar, porém Cecília percebeu, vindo de lá de trás e atingindo a clériga no exato momento que o meio-orc colocou seus pés sobre a areia.

Angra gritara, encostada na cerca de madeira, apoiando a fé da mulher sendo espancada em meio ao clamor do povo. Atraíra para si olhares tortos, de desagrado, viu inclusive alguém se aproximar de um dos guardas que estavam rodeando o local e apontar para ela... Entretanto, nada disso importava. Alguém pulara dentro da arena, quase ao mesmo tempo em que uma flecha enterrou-se no peito da clériga.

Jay achava aquela situação curiosa, principalmente a atitude daquelas pessoas e ainda parecia que iria ser tornar algo mais interessante. Uma espécie de homem bem alto passou empurrando as pessoas até arena e pulou para dentro, enquanto uma seta descia contra o peito da clériga. O bandido dentro da arena rapidamente soltou a moça, assustado, quando ela desfaleceu com a flecha traspassando seu coração. As pessoas começaram a olhar ao redor, guardas pareciam ter uma vaga ideia de onde havia vindo a flecha, porém a presença do meio-orc ali deixava todos confusos. Mais atrás, num beco Aedan começou a dar alguns passos para trás entrando na escuridão do beco, porém dois homens vinham em sua direção. Não pareciam olhar diretamente para ele, o arqueiro, entretanto ele conseguiu perceber algo em especifico. Uma figura se aproximava das jaulas, de um dos lados da arena. Usava uma capa com capuz e trazia um arco em mãos.

Jackson encarou o homem pequeno, que o encarava incerto. Do outro lado dois guardas apontavam bestas para ele. O mundo ao redor era uma gritaria, as pessoas queria saber o que estava acontecendo. Os guardas dispararam. O primeiro virote rasgou sua roupa, mas passou de raspão sem nenhum dano. O seguinte voou por cima de sua cabeça, desajeitado caindo em algum lugar qualquer.

De repente de pontos ao redor, flechas começaram a voar em direção ao guardas, cruzando-se no ar. Angra percebeu atrás de si, alguém alto e de capuz disparar uma flecha contra um dos homens que atiraram no meio orc que pulara na arena. Cecília percebeu movimento atrás de si, assim como Jay, eram homens abrindo suas capas com capuz e puxando arcos, disparando contra guardas próximos. Aedan via estes novos arqueiros se revelando, inclusive um deles, saindo de uma esquina próxima ao beco onde estava e disparar uma flecha certeira contra o braço de um dos homens que vinha em sua direção. O que estaria acontecendo?

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O caos tomou conta da praça. As pessoas gritavam, corriam em para todos os lados, tentando sair do meio da confusão. O calor, o tumulto era agoniante. Do palanque o clérigo da Conquista se levantou, com seu martelo em mão, era um homem sério e robusto, cabelos castanhos compridos e uma barba por fazer da mesma tonalidade. Enquanto o sacerdote da guerra aguardou sentado, assistindo. As pessoas esbarravam em Cecília, um homem gordo e baixo todo suado trombou contra a moça, quase a derrubando. Jay sentiu sentiu ser levado pela turba, sendo derrubado no processo, outras pessoas passaram por ele e não pode grunhir de dor quando pisotearam sua perna, na parte interior da coxa. Um brutamontes veio de encontro a Angra em sua fuga da praça, acertando-a com tudo, porém a jovem de cabelos vermelhos se manteve firme de pé.

Jay caiu e foi pisoteado, sofrendo 5 pontos de dano


Aedan, em meio ao beco, entrecortado pelas sombras e pela luz fraca do dia nublado, via o caos se instaurar na praça. Era sua escolha, fugir ou lutar.

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Cecília
Aedan
Arqueiros
Guardas
Jay
Jackson
Angra
Clérigos


Cecília: <> PVs: 10/10; PMs: 7/7; PEs: 0/0; PAs: 1; CA: 12/12 <> Condição:
Aedan Runargo: <> PVs:17/17; PMs: 0/0; PEs: 0/0; PAs: 2; CA: 17/17 <> Condição:
Jackson Krowley: <> PVs: 22/22; PMs: 0/0; PEs: 0/0; PAs: 1; CA: 16/16 <> Condição:
Angra: <> PVs: 22/22; PMs: 0/0; PEs: 0/0; PAs: 1; CA: 19/19 <> Condição:
Jay: <> PVs: 8/13; PMs: 0/0; PEs: 0/0; PAs: 1; CA: 17/17 <> Condição:
Personagens em Pbfs:
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Registrado em: 09 Dez 2013, 18:13

Localização: Curitiba, PR

Mensagem 25 Jan 2018, 15:19

Re: ATO I - PAZ SUFOCADA

O homem feio (talvez um meio-orc) saiu de sua frente indo ao encontro da clériga de Marah. Cecília o observou pasma, tentando decidir se ele era estúpido ou corajoso. As coisas mudaram bem rápido, pois alguém flechou a sacerdotisa no instante em que o meio-orc (ok, vamos com meio-orc) pisou na arena para encarar o espancador.

Mais do que isso, a turba começou a se mover agitadamente, pois umas pessoas revelaram-se infiltrados com o objetivo de babar aquele ritual maldito. Cecília começou a ser levada de lá pra cá e começou a dar ombrada em todo mundo à sua volta pra se manter de pé. Um homem gordo e suado lhe deu uma trombada, mas seus bloqueios mágicos ajudaram-na a se manter de pé.
Cecília
Imagem
Ow, ow, ow, calma aí, seu gordo nojento! Eeeeeeew!

Gritou e se afastou dele... viu um beco para onde um homem tinha corrido e decidiu que ali era o melhor para evitar cair naquela escaramuça. Não achava legal que a sacerdotisa tivesse morrido, não achava certo o modo como as coisas eram feitas naquela cidade, mas era assim o mundo e o que estava feito, estava feito. Heroísmos ali podiam levá-la à morte prematura e ela tinha tanto a conquistar ainda...

Correu para o beco erguendo as mãos em direção aos guardas da cidade mostrando que nada tinha a ver com aquilo.
Cecília
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Ô gente, to de boa, to de boa!

Movia-se num pique um pouco mais rápido que uma caminhada, mas não chegava a ser uma corrida. E encontrou o arqueiro barbudo, causador da morte da sacerdotisa e dividiu o mesmo espaço olhando-o diretamente nos olhos com curiosidade. Não parecia ser parte daqueles arqueiros que se revelaram depois. Cecília tinha altura mediana, vestia um traje cumprido e leve e portava uma espada de lâmina curvada na cintura. Tinha a pele branca, o rosto de adolescente com olhos insinuantes cor de mel. Seus cabelos ondulados eram castanhos claros, ou um loiro escuro.
Cecília
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Aquilo foi uma coisa legal de se fazer, mas sabe... muita confusão... melhor dar no pé.


Ação de Cecília
Cecília gastará duas ações de movimento até A-6 e dividir o quadrado com o personagem do Aquila.

Ficha alterada pelas Magias Duradouras
Armadura arcana (1 PM), escudo arcano (1 PM), ataque certeiro (1 PM), arma mágica (1 PM)

CA: 20 (+2 Des, +4 armadura arcana, +4 escudo arcano) PM: 3

Uma vez:
Corpo-a-corpo: +22
Hikari-Hime +24 (1d10+3, 19-20; corte).
Garra +22 ou +18/-2 (1d4+2, x2; perfuração).

Hikari-Hime +23 e Garra -2.

Distância: +22
Besta leve +22 (1d8, 19-20; perfuração; 18m)

Normal:
Corpo-a-corpo:
Hikari-Hime +4 (1d10+3, 19-20; corte)
Personagens de PbFs
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