Sob o Céu de Vectora [Concluída]


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Mensagem 06 Ago 2017, 19:56

Sob o Céu de Vectora [Concluída]

Aventura Um: Sob o Céu de Vectora

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Vectora, o Mercado das Nuvens é uma das mais importantes cidades de Arton. Não porque é uma cidade comercial, um dos únicos lugares onde um aventureiro pode comprar seu item mágico sem precisar se lançar a uma masmorra perigosa. Vectora é importante e famosa por ser formada sobre uma rocha voadora, criada por um dos dois maiores magos vivos de Arton, Vectorius.

Neste ano a cidade voadora passará por uma aldeia chamada Prado Verde, uma das muitas comunidades humanas espalhadas pelo nordeste de Deheon, há três dias a cavalo de Valkaria.

Vectora é conhecida por passar por várias cidades importantes e capitais dos reinos. Apesar disso, Prado Verde sendo tão pequena, conseguirá vislumbrar pela primeira vez a montanha voadora no horizonte. Houve um pequeno desvio no trajeto da cidade para este ano de 1410, nada que seja muito importante, mas para a vida do aldeão em Prado Verde será um evento único em suas vidas.

Pensando nisso, o prefeito da cidade Mestre Orjan planejou um grande festival para atrair visitantes: mercadores, mascates, aventureiros. Toda sorte de pessoa interessada em visitar Vectora encontraria em Prado Verde um lugar tranqüilo para ver a cidade ou, por meios próprios, entrar no Mercado das Nuvens.

Sob o peso do Azgher de Altossol, um dos mais quentes meses, quatro figuras distintas andavam pela mesma estrada...

OFF: Aqui vocês podem ler somente sobre seus personagens se quiserem. Depois, leiam abaixo a narrativa para todos.


Bethany
O lobo Nuvem acordou Bethany de sua cama improvisada por folhas e gravetos em meio a um bosque úmido. O inclemente Azgher poderia fazer sua viagem mais difícil, mas a meio-dríade era acostumada ao calor e à umidade. As lembranças de Greenleaf vieram à mente. Enquanto lá a mata era fechada, com chuva o ano inteiro, aqui onde estava Bethany e Nuvem viam árvores cumpridas e finas, espaçadas com um tapete verde gramado. Havia muitas plantas e flores de diferentes tamanhos e formatos e todas intrigavam Bethany por serem muito diferentes das de Greenleaf.

E este era um de seus objetivos mais plenos. A diversidade do mundo de Arton era vasta e era uma de suas missões enquanto druida de Allihanna em buscar entender mais o seu mundo. Sendo filha de quem era Bethany tinha poucos traços de seu pai. As lembranças dele eram poucas e dolorosas. Parecia que faltava algo.

Nuvem fungou farejando o ar para rosnar em seguida, deixando a meio-dríade em estado de alerta. Alguém se aproximava barulhento, pisando nas folhas secas, como se fosse muito pesado.

Shantii
O jovem monge não tinha noção de sua origem, tendo parcas lembranças de uma vida na floresta e na caverna onde se abrigava. Shantii viajava pelo mundo em busca de autoconhecimento e encontrou os primeiros seres humanos no litoral de uma praia. Shantii lembrou-se dolorosamente de Zara ao ver as tatuagens intrincadas nos corpos daqueles homens de pele morena. Barqueiros preparando para uma viagem ao que chamavam de “continente” e foi assim que o jovem monge conheceu outras terras.

O chão era mais duro, terra batida e era abafado pela quantidade de florestas e suas copas. De onde viera a vegetação era mais esparsa, o que permitia experimentar o frescor dos ventos – e às vezes furacões. Não demorou muito para ele divisar a mão humana na natureza: estrada. Uma estrada de terra firme detendo o avanço do mato e das árvores. Foi assim que ele viu o primeiro humano do continente.

Max Reilly
Max logo descobriu que a vida de mercenário não é tão emocionante assim. Ao sair de Malpetrim há alguns meses, achou que esbarraria em alguém em prantos pedindo por ajuda para eliminar sszzaazitas. Ou que alguém chamasse guerreiros fortes para impedir os planos malignos de um mago em sua torre na floresta. Ou algo do tipo. Mas Max não encontrou nada disso.

Ele escolheu caravanas como um ponto de partida. Um comboio de carroças de mercadores onde as histórias circulavam. Era um bom lugar para estabelecer uma rede de contatos, ser conhecido por um ou mais mercador viajante para que fosse sempre chamado para escolta. Max viajou pelos reinos do Império de Tauron e praticamente não encontrou ação. Afugentou lobos ou goblins de beira de estrada. Trocou de caravana três vezes para fazer o percurso todo até o reino de Deheon.

Max encontrou algumas estradas pavimentadas que davam para as capitais ou cidades mais importantes. Mesmo nos lugares mais ermos a estrada era patrulhada, afugentando bandidos e qualquer tipo de ação. Cansado de viajar infrutiferamente, Max ouviu falar do festival e da chegada de Vectora. Ora, seria um bom meio de encontrar ação.

Valvadis
“Adivinhe” era Brina.

“Tem raízes ocultas,
É mais alta que as sequoias
Sobe, sobe e também desce,
Mas não cresce nem decresce.”


Calco completava.

Um dia Valvadis acordou com esse enigma na cabeça. As cartas coringas de seu baralho não respondiam mais. Dias se passaram e toda vez era o mesmo sonho, a mesma charada, a mesma dúvida.

Fazia pouco tempo, Brina e Calco eram mais falantes. Foram eles quem o fizeram a manipular as energias arcanas em primeiro lugar. Valvadis tinha receio, medo, mas a promessa de poder o seduzira e o fazia ir adiante. Sem dinheiro e buscando evitar estradas, o jovem meio-elfo queria sair de Portsmouth o quanto antes. Se sua vida era difícil por ter sangue élfico nas veias, se tornaria impossível se descobrissem seus poderes mágicos.

Mais de uma vez ele teve que fugir bem depressa de lugares ao menor sinal de desconfiança de aldeões. Brina e Calco se calaram, exceto pelo enigma. Sem destino, sem perspectiva e quase se sentindo enganado por acreditar em cartas mágicas, Valvadis viu uma montanha. A resposta.

Brina foi a primeira a voltar a falar. E com isso, Calco apresentou um novo destino. Um objetivo.

“Eu vi nas estrelas, eu vi o destino traçado pelos deuses. Os deuses se importam, sim, eles se importam. Você encontrará outro menino favorecido. É, vai encontrar”.

Depois disso, nenhuma palavra mais sobre o assunto. Valvadis subiu e pôde ver a estátua de Valkaria no horizonte, colossal, impossível de ter sido construída por mãos artonianas. Sem mais demora, seus pés o levaram até uma estrada simples margeada por bosque por ambos os lados. No meio dele, andando despretensiosamente, viu um jovem humano de longos cabelos prateados e o corpo cheio de tatuagens. Valvadis sentiu na hora uma sensação estranha. Era este o rapaz escolhido pelas cartas? Elas nada diziam...

Todos

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“Socorro!”

Todos puderam ouvir o grito agudo de um homem vindo de mais à frente na estrada.

O que vocês fazem?

OFF: Podem ter uma pequena interação antes, uma primeira impressão um do outro. Seria interessante neste momento todo mundo se descrever. Há tempo para uma troca de palavras antes do grito do homem desconhecido.
Editado pela última vez por Mælstrøm em 17 Fev 2018, 17:39, em um total de 2 vezes.
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Mensagem 07 Ago 2017, 09:43

Re: O Mundo de Arton [ON]

Bethany tinha uma missão e não podia se furtar de encontros com os humanos ditos civilizados. Pelo menos eram melhores que os minotauros. Bethany afagou o Nuvem para acalmá-lo.
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Bethany
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Acalme-se Nuvem, nem toda criatura das terras estéreis é maligna.

O lobo cinzento mirou seus olhos claros quase brancos para a druida. Esperou.

Bethany
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Cautela nunca é demais...

A jovem meio-dríade sorriu singelamente e pontou com a cabeça para o lado, indicando que seu lobo deveria se esconder ali próximo. Caso a abordagem fosse agressiva, Nuvem seria um elemento surpresa.

Bethany
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Alto. Está diante de uma sacerdotisa de Allihanna. Apresente-se como amigo e será tratado em paz.
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Mensagem 07 Ago 2017, 15:36

Re: O Mundo de Arton [ON]

Max andou dias sozinho e isso o deixou cabisbaixo. Ele nunca gostou de estar sozinho, ou de fazer as coisas sem que ninguém visse. Quando soube do festival em Prado Verde e que Vectora estaria sobrevoando a região, ficou deveras feliz.

Por isso, agora caminhava com grandes expectativas. Desde a Guerra Táurica que ele não se via em um combate desafiador de verdade. Muitos mercenários diriam que ele teve sorte de ter pego contratos em que quase não precisou usar suas armas, mas Max queria usá-las! A vida de mercenário não era pra ele, definitivamente. Estava na hora de subir um patamar, se tornar um aventureiro. Buscar coisas arriscadas. Vectora era uma cidade lendária conhecida no mundo todo. Era simplesmente impossível que não fosse encontrar algum contrato perigoso, lucrativo e que colocasse uma grande luta em seu caminho.

Max estava radiante quando ouviu uma voz feminina entre as árvores. Sacerdotisa de Allihanna? Max dirigiu-se à origem da voz com um sorriso e as duas mãos espalmadas erguidas em sua direção.
Max
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Bom dia, sacerdotisa, eu me chamo Ma...

Max parou de falar subitamente quando pôs os olhos nela. Era uma donzela élfica com cabelos azuis brilhantes, olhos verdes cintilantes. Havia uma coroa de flores que ajudavam a construir uma imagem inacreditavelmente bela a ela.
Max
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... Reilly. Max Reilly, a seu dispor.

Imediatamente ele se aproxima afastando os arbustos ali para se curvar até meia altura com a mão direita na barriga.
Max
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E a senhorita, quem seria?

Sorria mostrando todos seus dentes perfeitos. Max se gabava por ser um homem bonito que, apesar de muitas brigas e socos que já levara, jamais perdera um dente ou quebrara o nariz. Não havia cicatrizes em seu rosto, embora no seu corpo houvesse uma lembrança de um corte ou outro no ombro, no peito e na barriga.
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Registrado em: 01 Ago 2017, 00:51

Mensagem 07 Ago 2017, 18:46

Re: O Mundo de Arton [ON]

Um homem apareceu entre as árvores afastando os arbustos. Ele não era muito alto, basicamente do mesmo tamanho que ela, mas mais robusto. Bethany notou um instante de surpresa no humano antes dele se dobrar em reverência. Ela conhecia aquele gesto que as pessoas das cidades faziam, uma prostração. Queria dizer que estava à mercê do outro, que demonstrava respeito. A druida gostou daquilo e sorriu gentilmente, apesar de não ter entendido muito bem seu nome.
Bethany
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Eu me chamo Bethany Greenleaf. Não conheço a região Reilly.

Um rosnado chamou atenção. Nuvem apareceu com os pelos eriçados e dentes à mostra.
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Bethany
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Não, Nuvem. Está tudo bem... por hora.

A druida fez um gesto com a mão e usou sua voz calma para tranquilizar seu companheiro animal. O lobo foi se aproximando lentamente até ficar ao lado dela e lobo parou de rosnar, embora mirasse o humano com um brilho desconfiado no olhar...
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Registrado em: 10 Dez 2013, 11:03

Mensagem 07 Ago 2017, 20:33

Re: O Mundo de Arton [ON]

Cada experiência era única, cada forma e cada som eram totalmente novos. Shantii via o mundo - o de verdade - pela primeira vez. A grama longe da caverna onde morou toda sua vida fazia cócegas nos pés, como nunca havia sentido antes. O ar parecia mais suave, o céu mais azul e o sol mais brilhante. Ele era uma mistura de emoção e ansiedade, mas também medo e hesitação, porém estava feliz, pronto para aquela jornada de auto-descobrimento. Não podia deixar de ter um sorriso bobo nos lábios.

O rapaz de cabelos prateados escuros, tinha o dorso nu e a pele bronzeada, além de ser extremamente atlético e definido. Os cabelos compridos escorria até os ombros, cobertos de tatuagens. O punho esquerdo era coberto por faixas e o direito por uma luva velha. Usava rogas amarradas na cintura, assim como uma calça puída, e faixas nos pés, os deixando parcialmente descalços.

Seguiu até o "continente" com uma excitação incomum.

Uma vez lá estranhou o clima, tudo parecia mais pesado e fechado; Caminhou com cautela, usando seu bordão como apoio, um passo de cada vez até que encontrou aquele caminho de terra dura. Era fria ao toque, olhou para um lado e viu o mundo se perder no horizonte sem fim. Era possível que fosse tão grande? Caiu de joelhos, e começou apalpar a estrada, curioso. Encostou o ouvido ali, tentando ouvir algo. Parecia tremer, bem de leve, como se o coração do mundo batesse, muito distante, embaixo da terra e das pedras, e tudo que ali se encontrava. Escutou passos, então virou-se depressa. Seus olhos se estreitaram, colocou-se em pé diante daquela figura que se aproximava, curioso, quase sem tanto nenhum, agitou as mãos sem nexo.

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- O-Olá... Sou Shantii!
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Mensagem 07 Ago 2017, 22:58

Re: O Mundo de Arton [ON]

“Eu vi nas estrelas, eu vi o destino traçado pelos deuses. Os deuses se importam, sim, eles se importam. Você encontrará outro menino favorecido. É, vai encontrar”.


Era uma frase estranha de se ouvir em qualquer lugar, ainda mais numa estradinha de terra no meio de lugar nenhum. Com certeza não era uma frase que inspirava calma no jovem meio-elfo, já imaginando mil e uma maneiras do quão intimidante esta pessoa deve ser. Mas seus olhos aguçados logo miram aquele que deve ser o "favorecido", realmente nado como ele esperava. Quase sem roupas e as que tinha eram dispares, o cabelo as vezes parecia negro como breu, mas quando a luz refletia nele parecia feito de prata e é claro, haviam as tatuagens marcantes espalhadas por seu corpo. Mantendo sua distância, ele observa atentamente as formas estranhamente familiares que se espalhavam por metade de seu tronco esguio e cortado e por um de seus braços com músculos definidos. Val continua pela estrada transfixado pela imagem em sua frente, ao mesmo tempo um homem que nunca vira antes, com marcas tão familiares. Até que ele começa a agir estranho, revirando o solo e agitando as mãos pelo ar, e o "mago" ali parado, paralisado pela estranheza da situação até que ouve a voz do homem se dirigir a ele.

Valvadis escreveu:Imagem
-Oi? Eu sou Va-valvadis?
-D-digo: Oi, eu sou Val. A terra esta boa hoje?


Diz o meio-elfo de forma estabanada, corando de surpresa enquanto tentava claramente não olhar nos olhos do estranho. Em sua mente, já se castigando pela pergunta estúpida sobre a terra, vem uma imagem clara. Uma que ele deveria ter lembrado antes, pois ela apareceu a pouco tempo e por último a vira ainda de manhã. A tatuagens no homem "favorecido" eram estranhamente familiares a pintura de uma de suas cartas: Zona Seek.
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  Código:
[quote="Valvadis"][img]http://i.imgur.com/Q9oPG0K.jpg[/img]
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Mensagem 08 Ago 2017, 07:52

Re: O Mundo de Arton [ON]

Shatii ouvia as palavras daquele... Homem? Caminhou com passos curtos e olhar curioso até ele.

Imagem
- S-suas... Suas orelhas.


Aproximou lentamente o indicador tentando tocar, porém se deteve ao ouvir o grito de socorro. Olhou na direção de onde ele vinha (ou achava que vinha) e correu floresta adentro.
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Mensagem 08 Ago 2017, 17:19

Re: O Mundo de Arton [ON]

Com a aproximação do homem, de Shantii, Valvadis recua surpreso. O interesse dele por suas orelhas por um momento revive em sua memória os comentários maldosos que ouvira toda sua vida sobre sua origem, mas logo isso se dissipa ao perceber que ele falava com pura curiosidade na voz. Nenhum sentimento ruim. Vermelho, ele põe a mão na ponta de sua orelha e se aproxima ligeiramente, como se fosse explicar ao novo conhecido oque eram, mas em um momento ele não estava mais lá, reagindo como um raio a um grito de socorro que vinha a frente na estrada.

Valvadis escreveu:Imagem
Será que eu devo ir? Calco, Brina?


-Mas isso é pergunta que se faça? Não ganhará poder nunca se continuar a fugir de encrencas garoto!

Além do mais, você quer saber mais do Favorecido, não quer? Siga-o, satisfaça sua curiosidade.

O meio-elfo havia hesitado, mas depois de ouvir seus curingas se põe a correr em direção do grito, atrás de Shantii.
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Mensagem 08 Ago 2017, 22:03

Re: O Mundo de Arton [ON]

Sob o Céu de Vectora

Parte 1: A Espada de Sir Gorboduc

Um homem barbudo e barrigudo surge no horizonte da estrada. Max e Bethany conseguem vê-lo à uma distância menor que um tronco de árvore. Ele parecia realmente desesperado, com o suor escorrendo por sua cabeça de cabelos ralos, pois Azgher estava implacável naquela manhã. Sua barba se espalhava selvagem pelo queixo e nariz.

Enquanto isso, Shantii corria pela estrada até encontrar o homem. Não demorou muito para Valvadis alcançar aquele estranho rapaz de cabelos brilhantes. Assim que o homem põe os olhos nos dois toma um susto, mas depois agita os braços.
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O homem respira fundo, buscando o ar que gastara na corrida.
Khoras
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Meu nome é Khoras, eu sou um mercador... estava a caminho de Prado Verde quando fui atacado por um monstro horrível e seu goblin tenebroso... eu deixei minha carroça pra trás e vim correndo rogando aos deuses que encontrasse alguém que pudesse me salvar! Graças a Valkaria, encontrei vocês dois... por favor, me ajudem!

O mercador aponta para o lado da estrada que viera, indicando aonde ele deixara sua carroça com suas mercadorias.
Khoras
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Por favor, meus senhores, meus produtos são minha vida, o sustendo de minhas crianças...

Ele ainda arfava, cansado. Agora apoiava as mãos sobre os joelhos e logo se rendeu ao seu pesado corpo. Largou-se no chão no meio da estrada.

Bethany e Max ouvem tudo que foi dito por Khoras. Nuvem, o lobo da meio-dríade, fareja o ar curioso e se aproxima lentamente da estrada. Agora ele é visível para Shantii e Valvadis, que podem ver um grande lobo de penugem cinzenta e olhos claros. Ele fareja o ar sem mostrar os dentes e fica bastante observador, parado mirando os dois aventureiros e o mercador caído.
Khoras
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Sangue de Valkaria tem poder! Um lobo! Era só o que me faltava!

O homem se arrastou no chão até perto do meio-elfo e do monge, sujando boa parte de suas calças e mãos na terra batida da estrada.
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Registrado em: 01 Ago 2017, 00:51

Mensagem 09 Ago 2017, 01:21

Re: O Mundo de Arton [ON]

Bethany viu o humano correr em consternação pelo caminho criado pela civilização - um rastro de terra árida que cortava o bosque em dois, um absurdo. A meio-dríade se colocou atrás de uma árvore tocando seu tronco e mantendo seu corpo fora das vistas. Ouvia o que aquele humano dizia. Ele era muito grande, muito roliço, bem diferente do que estava acostumada a ver dos seres humanos. Eles realmente eram distintos uns dos outros. E aquele ainda usava muito tecido no corpo e ela não sabia identificar muito bem a origem daquelas pedras penduradas em seu corpo. Bethany notou outros dois jovens humanos na estrada. Um deles sem camisa e de cabelos brilhosos. O outro tinha orelhas pontudas, mas não era um elfo de verdade. Sua expressão era dura, seu queixo mais severo... seu pai tinha traços muito mais leves e graciosos. Mas não era hora de se lembrar de seu pai.

Quando Nuvem se mostrou saindo de trás dos arbustos protetores, Bethany percebeu que não podia ficar alheia àquilo. E ficaria se não fosse obrigada? Afinal, o humano pediu ajuda e parecia bastante entristecido, magoado. Aquilo deixava seu coração inquieto, mas o medo de se revelar à pessoas da civilização podia fazê-la titubear. Nuvem foi como o destino lhe tirando as opções dos caminhos, traçando uma estrada para seguir.

Bethany apareceu em seguida afastando os arbustos. Era uma mulher alta, de cabelos azuis sedosos com uma coroa de flores bem bonita. Seus olhos eram verdes muito claros como um lago límpido. A exemplo do rapaz de orelhas pontudas, a meio-dríade também ostentava suas orelhas entre os cabelos, herança de seu pai. Bethany mantinha uma expressão séria e desconfiada com as sobrancelhas arqueadas.
Bethany
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Não se preocupem. Nuvem é meu companheiro e se lhes quisesse mal, não estariam vivos agora.

Bethany tinha um tom de voz séria e distante.
Bethany
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Eu sou Bethany, filha de Allihanna. Ouvi o que você disse, humano, e estou disposta a te ajudar a enfrentar tal "monstro". Como ele se parece?

A meio-dríade sabia que humanos podiam ser ignorantes e confundir animais com os verdadeiros filhos de Megalokk, monstros terríveis. Enquanto esteve neste bosque, Bethany não encontrou nenhum de seus beligerantes filhos, portanto, era de se estranhar que agora um deles surgisse interessado em objetos de um humano e não na própria carne deste.
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